I
Sob o teto tenebroso que envolve
quarto meu, minha mesa, altar,
escrevo estrofe que não move
minha alma, por mais que,
por ele, vá eu ansiar.
O ansiar do retorno, um devoto.
Um devoto tóxico com a noite
nem estrelada, privada de moto.
Ao som de MIDI Zun-ial.
Anoto insignificáveis por sí?
Por mim? Oh você, Razão,
porque discuto consigo,
especado neste papel,
invés de cerrar os olhos e ir dormir?
Escrito em 9/06/2026 às 23:26
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 1:10 da manhã.
II
Precisava de espaço, arrumei.
Divergido, des-congregado,
forcei afora os trapos e o lixo
que tomo (assumo) e visto a traje.
E essa comum prática nossa é aceite.
Arrumei a secretária.
Nem que deva dizer
mas não sei o que digo.
Divergi. A mais, nada haver.
Escrito em 9/06/2026 às 23:29
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 1:32 da manhã.
III - Altar
E no altar, rodeado por branco,
cor candida, o vazio do papel,
dou esmola, de cabeça baixa
à honra dela, a escrever.
Nesta mesa escrevo – digo.
Acima de mim está ela:
A personificação do costume
nosso, o que somos, em um.
Um, como somos.
Ela que emite-se à carga
por nada senão o milagre
que é a conquista do Homem.
Ela, quieta, relembra-me
do quão belo é estar
conectado.
E mais como nunca,
mais que outro século ou milénio.
Ao erguer-me pra elevar o que vejo,
sou oportuno em saber que,
com ou sem o ecrã por ela,
somos células de uma grande forma.
E sinto isso bem.
É belo.
Escrito em 9/06/2026 às ??:??
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 1:44 da manhã.
IV - Demónios
Os demónios, eles perseguem-me.
Aqueles da minha escola, querem magoar-me.
E eu fujo, e imploro por ajuda,
mas eles ainda por aqui rondam.
O mundo não conhece bem
nem benção, por isso, portanto.
Vou redimir-me do medo e dor.
E farei pagamento dos demónios
ao som de estrondosos, da voz da cabeça.
Os coros cantam berros chorosos,
aos sincopados compassos do som da bateria.
Escrito em 9/06/2026 às 23:43
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 1:53 da manhã.
V
Tenho sinais, tive sinais.
E na completa despercepção,
não sei se reconheço
aquela completa escuridão.
Sinto-me arrogante, bastante até,
em tomar o querer em dizer que sofro
quando sou incerto de qualquer dor.
Só sei que sempre retorna,
é ciclo que me retoca cruelmente,
talvez garantidamente.
Se digo que é ciclo, deve ser.
Só não sei se infelicidade
às convulsões e confusões aleatórias
convencerá a mim ou a alguém
depressão.
Então digamos que não sofro
depressão – já que sou nem sou
diagnosticado ou suspeito
sequer – digamos somente
que sou quebrado (tá bem, coitado).
Deixa-me sorrir isto masturbando
enquanto escrevo esta estrofe acima.
(Não aconteceu, nem é desejo.
Foi só algo que tive vontade de anotar.)
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 2:12 da manhã.
VI
Enquanto flores nascerem,
brotando do solo;
poderei escrever.
E sorrirei, ou não.
E se flores não crescerem,
nem sequer nascerem
e, portanto, nem do chão erguerem,
ou no chão pétalas pousarem caídas;
poderei escrever.
E sorrirei, ou não.
E quando for-me deitar,
pode ser na grama, no tijolo;
pode ser na terra batida;
pode ser na tralha dum beco;
pode ser na tábua do chão;
pode ser no apodrecido de familiares;
pode ser numa ervilha, doloroso sim,
ou em mil delas com, ou sem, colchão.
E poderei dormir,
E sorrirei, ou talvez não, sei lá.
Posso tornar o dia noite
ou a noite dia;
posso tornar a manhã em tarde
e a tarde em manhã;
posso tanto pintar o céu
de ontem como hoje,
e vice versa;
posso rogar o mar p'ra ser céu
e pedir o céu p'ra ser mar;
pudesse lá eu boiar
ou voar,
sonhar,
ou lastimar
(elaborando eternamente),
ou espelhar horizontes
polares inversamente.
E não vou parar de ser confusado,
confuruso,
confusariado
de mentir,
ser nojento,
ser latismável,
ser um desperdiçável
(elaborando, mais uma vez, eternamente, até a tinta se gastar),
ser infeliz,
ser desconcentrado,
ser sobrecontrolado/fechado/preso,
ser criador fácil
e preguiçoso.
Continuamente a dizer e a fazê-lo:
e escreverei, o posso,
e sorrirei, ou não.
Oh foda-se.
Escrito em 10/06/2026 às 00:11
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 2:36 da manhã.
VII - Alice
Alice Maestra maestra os fantoches que cantam gentilmente, esvoaçando
pela noite afora e adentro. Ao som de escalas de piano arcaico midi-ficado.
E violinos que, de acordo, acompanham com o acompanhamento e, por
contrário na teoria, lideram: o ar fica leve aos acordes que por acaso são a
individual melodia principal e nem sequer constituídos como acordes de
todo.
A leveza da densidade do ar aprova os fantoches da maestra mestre Alice
Maestra que maestra os vássalos da bela. mística e quieta noite.
Agora, passemos à música seguinte.
Escrito em 9/6/2026 às 00:17
Editado/Corrigido a digital em 14/06/2026 às 1:43 da manhã.
VIII
Eu, por acaso (não por acaso), tenho medos
e, nem por acaso, por acaso, possuo ambições.
Ambiciono ser feliz,
por mais estúpido e
genericamente inócuo
isso pareca soar.
Procuro ser empreendedor.
Serei investidor de ações no sector sonhar e ter o conforto que não sinto.
E que, neste momento a que escrevo,
noto que se calhar estou por sentir à muito ou pela primeira vez.
Sinto-me vazio, ou desconfortávelmente com uma espaço a menos:
a faltar.
Ah merda.
Des-divergindo. Rotacionando o subjetivo norte da nossa nave para o
ângulo correspondente ao necessário correto, redirecionando o nosso
processo criativo para o esperado. A postos, partida, descolagem.
Mais palavras, mais palavras...
Um medo é que nada concretize,
e que investimento é assunção imprevisível.
Quase lotaria.
E que, nesta mente, privada de sono,
é privado de qualquer raciocinio.
Acalma-te oh caralho d'artista
a tua estúpidez e o teu estúpido simples vocabulário passa dos limites.
Mudança.
Como dizia:
Há ponte desejante: caminho entre mundos.
Mas o mundo que a se zarpa
procura-se inóspito a mim.
Serei o único exilado?
Ou todos privam de mim que não nisto serei só?
Que satisfação por mim nem me serviria...
Nem como servo: abstracto ou palavra?
(Após reler, muito mais tarde, sei que devo clarificar:
"Satisfação, nem como servo.
Satisfação: abstracto ou palavra?"
Assumo que queria dizer algo assim semelhante. Nem eu bem percebi.)
Satisfação, digo assumindo, é o que
talvez não sinto pertencente.
Vida! Não. Alma! Talvez.
Alma, tenha a mínima sensação!
A mínima sensação de satisfação!
O sorriso de desfruto que a criança
tem ao açucarar-se com o açúcar
de nuvens que lhe levam alto nos céus!
Fazendo-lhe sorrir.
Fazendo-lhe sorrir...
Porque não posso sorrir?
Porque não posso concluir positivo?
Porque é que a frase acaba mal?
E tudo soa tão alto? Tão alto!
Tão alto que cega-me da sanidade
e faz querer estourar-me
os crânios pelos ares!
É ensurdecedor, é coro angelical
que faz sangue escorrer
dos ouvidos afora incessantemente.
Coro de anjos de canto doce, com e ao
mesmo dum agudo que me cala e
me calafria.
Mas a terceira dose (sedation)
coloca-me.
Isto não é natural pois não?
O outro medo era que o Wired se tornasse falso
e que a gente perdesse a enorme conquista
que é esta tecnologia de informação e comunicação.
E de algo mais.
Faço-me a satisfação de terminar as minhas ideias iniciais.
Pronto, já chega.
Escrito em 10/06/2026 às 00:49
Editado/Corrigido a digital em 02/08/2026 às 23:12
IX - É bonito (weightless)
É bonito.
É bonito.
É bonito.
É bonito.
Sorri, que é bonito
É bonito, ouvi dizer.
Sorri, que é bonito.
É bonito, ouvi dizer.
Sorri, que é bonito.
É bonito. Pois é, pois é.
Ouvi dizer que é bonito.
Pois é. Sorri, pois é bonito.
É bonito :)
Escrito em 9/06/2026 às 00:54
Editado/Corrigido a digital em 02/08/2026 às 23:17
X (youth)
À saudades do mais simples.
Mas agora não consigo senão pensar
se o meu passado condicionou-me mal
a tal modo que sofra com as
atuais circunstâncias.
Pera, vou assoar o nariz
(embora não saiba o que escrever
a seguir, então não há algo por esperar).
Era suposto eu ter a caixa de lenços posta preparada.
Preparada ao meu lado, justamente
para esta sessão marcada e inútil.
Agora aproveito (crawl) que,
ironicamente me é confortável
e conciliante.
Eu não estou a brincar.
Escrito em 9/06/2026 às 01:01
Editado/Corrigido a digital em 02/08/2026 às 23:23
XI
As minhas estúpidas más intenções de desaproveitar um feriado pelo qual
poderia compensar as horas de sono que não tive ao longo de dias por causa
do querer re-experimentar escrever não devem escapar ilesas.
(sleep) concorda sincronizadamente.
Calha bem. Combina.
(Definindo a mais o mesmo eternamente)
Mas é verdade, mereço castigar
E que melhor castigo é só aceitar,
aceitar a lidar e ir dormir?
Boa noite.
Escrito em 9/06/2026 às 1:07
Editado/Corrigido a digital em 02/08/2026 às 23:27
12 - Místicas Odisseias
Sobre as narrativas que sonhas
e os impérios que edificas só de pensar
e no uso de glorificação, aos versos...
Como sonhaste de um mundo melhor
sabendo da lixeira em que convivias?
Como sonhaste de um mundo antes melhor
por místicas odisseias?
Sem pensar que quem zarpava eram centenas
e que os restos eram descalços sem retratos;
Tal e qual como os da tua igual pátria?
Não associas a realidade?
Escrito em 13/06/2026 às 23:42
Editado/Corrigido a digital em 13/08/2026 às 23:42.
13 - Recorrente
Quero-me preso numa caixa,
coberto por toda a escuridão.
Desrevela-me a vista, quero ver nada.
Faz-me morno, que tenho frio
e não quero mais esta frieza.
E quero eu aqui, no canto, ficar,
apertado, aconchegado,
por sei lá quantas horas.
Atrevo-me a dizer que
agora nem quero sair.
Escrito em 13/06/2026 às 13:26
Editado/Corrigido a papel em 13/06/2026 às 23:53
Editado/Corrigido a digital em 15/08/2026 às 6:10.
14 - Praia
Tomo soneca na praia, à beira.
Se for de olhos fechados, ao sol, fico aportado.
Mas a força do mar é muita, bruta
e tremenda, sempre do canto da minha cabeça.
E dela não consigo fugir.
Escrito em 28/04/2026 às 14:40
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 18:36.
15 - Sem título - I
A gente (eu) anseia numa sexta-feira.
Na esperança. Na esperança, sexta chegará.
"Na esperança" é frase que não consiga contar.
Conto de melhorar?
Mas a racha já abre e fala-me das costas da cabeça
eu as sinto. Mas duvido.
Precisava que alguém, além, indicasse.
O medo, a insegurança.
O calor da sereia, que m'abraça, que indica o sol,
indica-me o coração de pedra fria.
Fria como a de riacho, julgo eu.
Olhava-me ao espelho, inicialmente, real;
figurativamente confrontava-me.
E via nevoeiro, meramente visível.
Mas mergulhei-me na cor e ceguei-me.
Agora. Olha pra mim. Olha p'ra ti.
Deprivado do sono, olhos sangrentos de encarnado
e uma cabeça tingida em tenebrosa desatisfação.
Mata-me. Ou tem pena de mim.
Sei lá.
Onde está a cor que convoco.
Ouça-me! Que cor é na que falamos!
Em que cor é que sonho?
E porque ninguém é EU.
E porque ninguém é ELA.
ELE
ELA
ELA!
ELA
ELE!
E mais alguém? Ninguém se importa?
E porque é carta minha, e não nossa?
Porque é que sou tão sozinho...
Escrito em 20/05/2026 às 02:06
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 18:20.
16 - Sem título - II
Tão Familiar e rodante,
este mar rodeado.
Lá surrealmente perante
o ante-sol pecado.
E a barca, eu boiante,
é carga de vazio e tudo.
Pontos e vírgulas de vozes
ditas vazias e ensurdecedoras.
Sem tomar rota, por derrota,
em ironia, meu corpo atraca
na maca que é areia fina
duma ilha tropical remota.
E chego sem árduo aportar!
Já pisam os dormentes pés, acordo.
O abrupto mínimo toque é choque;
Areia, que detesto, é prazer modo.
Fome a carência alimenta do toque
ou os mil olhos, grãos, vêem-me p'ro susto.
Sei lá, há choque.
Eu levanto-me, dormente mas ergo-me.
Atracado, sinto eu o clima perfeito.
E por qualquer mágico feito,
o ar é fresco e o sol morno peito,
sem rajadas que gerem chagas
a mil chegadas, mil facadas.
Nem chance aos dos calores doentes
que a mim germinariam sementes.
Imunidade não bate estes.
E já a mencionar germinar...
Farto-me do olhar da areia fina
e do sol, vejo-me delirante.
Adiante vejo o tropical:
De bananeiras a coqueiros.
Nem pedia por água ou comida!
Caminho, sem tomar caminho adentro.
Mas, sozinho, sigo a extensão da praia;
é-me estranho, a ilha não quer que saia.
Com pouco esforço, do horizonte. Vem carcaça
duma baleia que, a bem, se é, por fim, escassa
e, portanto, é vítima de pragas... Gaivotas.
Peculiares devoradoras, vão-lha às voltas.
E aterram ao tremor duma stuka;
Ao impacto, à míssil perfurante,
devoram todo o resto restante.
E perante, a mente maluca
que ao ser minha, se quer enervante
tem injus ideia: se aproximar.
Injusta porque? Bem...
É injusto insulto à razão.
Enquanto atraio-me ao tóxico
(auto-pejorativa a ação),
o tóxico, Gaivota, logo verão
deformar-se, e aqui formar-se mulher.
Nua de unidas pernas, candida de tão branca.
E olhos penetrantes, e um sorriso maroto...
É musa franca, acho. E eu, o arriado tonto,
quer, não hesitante à chance aberta, amor.
É convidativo, o sol cai-me à cabeça.
Areia devora-me, afundo-me à cautela.
Seguro-me ao agarrar nos joelhos
de apoio dela; e o demente a abraça.
Não sabia como a tocar.
Mas lancei vergonha afora,
e dobrei aposta no abraço.
Abracei-lhe com muita força.
Claro, surpreendida ela está,
mas é moda minha passante.
Pois então deixa-se passar.
Todos a tal deixam passar...
Respiro, meditante, pois alma pudor
já tenho, não busco por maior menosprezo.
Mas não sou diferente: largo as calças.
Ponho a partir sereno em prova o prato
de mísera mente face divinas farsas.
Não é musa?
Não, é musa.
Devo ser em tal ilha
seguinte das Índias
pois, é dito que já tenha ocorrido.
Mas se é recompensa por achado...
e se nada por, ou nós, trago...
porque estaria aqui?
Tomamos o prazer que desejo mas,
mesmo em santuário, em simultâneo,
escorro-me nela em lágrimas ácidas;
choro, de mente e de braços
abraçados ao seu pescoço...
A pele dela é tão macia
sabe bem.
Que caralho se passa comigo...
E..., algo toca-me sobre o ombro;
solto-me dela e torno a atrás...
Nada?
Retorno p'ra, de carne, toca
e olha o sorriso malicioso!
(Que embora seja familiar
e me entretenha o prazeroso)
Fortes ventos de furacão expulsam-me
de musas, de carcaças, d'areias e d'ilhas.
Distante sobre o mar, às longes milhas,
lançad'à (o), vejo um ponto desviante
que nem deveria pelo qual sonhar:
de rocha prestante ao de merda amante.
Volta a vergonha da realidade;
tira-me o lar que nunca possuí
mas recebi naquela não verdade
que penetra lamentos à mente.
Sente; o vento, já fraco,
esforça efeito à gravidade.
O peso arrebento eu adentro.
E, novamente, como de esperado, sou no mar.
Estico o braço; afundo, para a superfície distante.
E como mais afogo-me, fecho os olhos;
imagino, não, recordo-me inexistente.
Imediatamente procuro dormir;
a fatiga requer escuridão,
suplicando para não pensar mais.
Escrito em 16/06/2026 às 21:46
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 17:57.
17 - A visão
Stop looking at her legs!
Stop looking at her legs!
Stop looking at her legs!
That smile..., don't do it! Don't look at me!
I won't hold myself. Please don't!
Stop looking at her legs!
Stop looking at her legs!
I can't stop looking at her legs!
Why are you here, right in my mind?
I'll only cause harm, so stop it.
And me, stop! Why won't you stop?!
Stop it, please! I can't hold myself!
Do not let us be used!
Don't...
Why do I see you? So deep underwater,
so deep, deep down...
In the bottom, and when all there is... is the dark?
Is it because you're one with the dark
and because I want to use you?
I really hope not; so please, close them
and stop looking at her legs...
Escrito em 16/06/2026 às 23:22
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 18:03.
18 - Azinheira (recorda-me do teu
filme)
Os evangélicos, sentados em tronos
ao torno do animado sol.
Erguemos a vista para (o)
que radia nosso peito,
crescendo, e consome-nos.
Isso ou, que seja a Azinheira.
Escrito em 20/07/2026 às 22:45
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 17:06
19 - Sem título - III
Eu quero sentir deleite
derretendo-me e largado-me
fechando os olhos como quem que aceite.
Eu acredito, e canto as falas e sinto
sinto a força que vem do dito.
Sinto que percebo; mas se sinto que sinto, minto
pois espero a verdade que é lá.
Lá é longe.
Talvez tenho-me deparado muito com o material
então os seriais sentimentais não se processam.
E miro-me outra vez pr'Ela,
Ela que nos une,
que traz o retorno do todo num todo só.
E chego ainda distante, meu corpo ainda não se fez.
Não sou um com as vossas caras:
dádiva biológica nos dada, social colmeia.
Não sou um com a mesa, o ar e a terra:
errado, desnaturalmente desmotivado.
Incompatibilizante.
Escrito em 20/07/2026 às 1:16
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 18:32.
20 - Sem título - IV
Eu vejo as linhas que enquadram prédios
verticais adiantes, ascendendo;
Os milhões de arranhos, de detalhes
dos grãos do chão.
Vejo os quatros membros estendidos
de corpos que por aí caminham,
e o preenchido no que não preenche.
Detesto este sítio.
A única coisa que me impede de ascender
é o medo do meu corpo.
E enquanto for eu assim, medroso,
não me motivo além do corporal.
O possível nada.
Rolem por cima do meu pescoço,
cortem a minha cabeça afora
esvaziem a minha cara, limpem-na.
Tirem a minha individualidade, quem eu sou.
Faz-me desaparecer, faz-me menos que cinza.
Escrito em 25/07/2026 às 20:47
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 18:52.
21 - Sem título - V
A revelação, faz-me parecer insano.
A mente tinha muito a esconder
e tenho muito a descobrir.
Podes pensar que sou insano
(opinião de alguém que aceito ser ouvido,
aceitando que és alguém aqui, agora, e vivo).
Pois porque não seria o real de brincar?
Mas és nada mais senão a minha visão.
Escrito em 30/07/2026 às 9:19
Editado/Corrigido a digital em 16/08/2026 às 18:54.