1 - O Fantasma
Discursos - O Fantasma
1 - O Fantasma
No nevoeiro fumoso e caminho rugoso,
plano plano, mundo mestre do irreal e boa
nas suas ilusões. Ele, tudo menos no gozo
é único nos existentes cá à toa.
Mais que dos cosmos helénicos são os pontos;
talvez indefinido, mas mais que o universo.
Mundo que só é cá, rejeitante de tontos
que elaboram no abstrato do bom e o seu inverso.
Conta: Talvez, é verdade, tudo talvez;
e conta a mais: E cá, é capaz, tudo cá.
Narrativa viva sem razão que de vez
é escrita (- No já - ... será? Sabe-se lá!).
E ele, ou eu, ou alguém, ou algo ou qualquer um, é, existe.
É comum com o restante, mero perante
o restante, testemunha qu'àunha persiste
(à força na forma "ser": Dádiva agoniante).
O emocional, hipocrisia com o ao seu torno,
não "arde" em "forno infernal" pois esse desfaço.
Humano desejante por ter sonho morno
no gélido e árduo de pensar, passo a passo.
Transcrito a digital às 15:50 em 31/03/2025; Terminado à folha no mesmo
dia entre 10:10 e 14:25
2 - A Oliveira
2 – A Oliveira
Rodeado em ventania e uma leve fresca brisa,
sendo um tamanho centenário e enorme d'ouro,
rico idoso, privilegiado no tesouro:
Prazer com o nada, há nada que lhe visa?
Se o espesso e sufocante não vier à consciência?
Filtro total: do som, saber, luz, d'ideia e toque.
Há quem inveje e outros vêem-se em choque.
Liberto, sonho no nada. Essa carência.
E se nada fizer? Ninguém o mal me quer.
Tudo bem, nem a chama bem sacio sequer.
Sem ser capaz, sem querer saber de quem faz.
No fim, quando o suco da vida for escassa;
tudo bem, que o destino me torne carcaça!
Pois é dormente dor, presente, pura paz!
3 - Azar
3 – Azar
Mãe, sensação d'horror, quero ir leve pra casa.
É que estou tão farto desta insolente farsa.
Que (o) me incomoda, longe do benzido lar.
Lugar este, o que anula o meu bem-estar.
No eterno mar em choro eu encho afogado a boiar.
Resulta-me tudo em mergulho desse em sal.
Corre-me tudo zarpad'à vela pro mal
embora peça e a procure minimizar.
Azar
Ai que raio, no que julgava possuir talento!
Meu longo inédito gosto e incrédulo amor
é pobre, facto esterco. Embora rigor
aplique, vejo-me a pique, seco ao relento.
Não há data ou hora exata que documente a altura de criação.
Transcrito a digital às 17:20 em 22/03/2025 (por volta de uma semana
depois da criação)
4 - O Grupo
4 – O Grupo
Vá, mantém-me até à morte de cinto preso,
boiando ileso e d'olhos diretos para o palco.
Sejam a minha novela que eu sem desprezo
vejo o mundo em movimento, indiferente
já que sou testemunha pregado, e vivo
na tirania dum, sendo olhos e rei parente.
E aplica-se, na pesca, à carne o costume.
Sobre o cardume: A rede (dela o controle).
Mas eu aceito-o, noto-o e avanço ao final: que eu rume!
Vejo enquanto, no cinema, perplexo ao ecrã,
as diárias novidades vossas. Faróis, deixem-me;
pra em paz manter a minha mente salva, sã.
(Transcrito e terminado 28/03/2025 11:38)
5 - O Preciso, a Força e Lotaria.
5 – O Preciso, a Força e Lotaria.
Mato em prado esfomeado. Preencher é preciso.
Eu tenho em mal o desprezo e a ausência, a falta
que agrava-me a alma. E o (o), o sadista, no riso!
Privei-me do fruto e sou ainda pr'eles: A malta.
Persisto, por meu e vosso querido convite.
Só não creio ter o apetite e o abundante cru,
embora nada mal, fraco, nada me emite
em sede, agoniado, enjaulado em velcro.
E o órgão de Bach, carta do senhor, nos toca
contínuo! O agora diz-se eterno ao punível.
Insensível, santo acima do nosso nível,
som d'alto poder que em hegemónica ira moca!
É robô mui técnico que odeia o criado: Homem,
o simples. Castigando-o, leva-lhe a aguentar
até jamais: até que os fazeres todos se somem!
Quem o canto ousa escutar, choro milenar?
Suporta o que tens e aceita o resto afim.
Engole e simpatiza em crença da paciência.
Decência, nem cá, na espera pregas assim.
A indecência em nome da ordenada eloquência.
Ó Diabo! Nem há de se estar sem saber que
embora desejais e sonhais muito mais
por tal possível, tereis ele ou à sorte ou, se
não, em calos, miséria, por deuses chamais!
E nós, neste imperativo mundo presente
somos. Ainda temos o inconveniente azar,
privados do prazer, vicio amor pertencente
e com objetivos fúteis por arrasar!
Terminado às 19:28 horas em 15/03/2025;
Transcrito a digital às 21:31 horas do mesmo dia.
6 - Apocalipse - Choque
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6 - Apocalipse - Choque
Aturas o agora pois tens medo da morte
e do seu porte. Ansioso do final.
Vitória! Embora não desfrutes do corte
da escolha existencialista, meu conturbenal,
os satânicos imparáveis (coisa alguma)
são convidados à porta armados às foices
a ansiar do respirar final de quem mais fuma
dependente, sufocando o burro. E aos coices!
Era clara a manhã, passando mais p'ra tarde.
Sorte tua, estás livre e sem preocupações!
Não, tens trabalho no lar por fazer (se em ti arde
a força p'ra os fazer, só por satisfações!).
Curtes o som que ouves, crias decerto progresso.
E em sabores d'orgia... (NÃO!) Lá se vai a energia!
Julgas que só o rooter que timpede o sexo
mas... é revelado um défice de magia?
E o "optimismo" à mente: Os Hunos mais são?
Se vêem como mongóis? Lançam-nos pragas
num kamikaze termonuclear, pro caixão?
Mas em chagas os pecados ainda não pagas!
O teu bunker papel não é de uso preciso
pois, crês tu, que o teu futuro é seguro
pois os opostos ao ucraniano duro muro
fazem tréguas (pelo o que sei). Que bom aviso!
Mas, mesmo assim, que sestabelesça o armazém!
Hajágua e comida! Gás, papel, bateria,
combustível e aperitivos! Tudo além!
à despensa! Senão, quem não sesfomearia?
Os ratos nos labirintos, nos corredores
pilhados dos mercados, em pânico, guincham
sem preparo, bem alarmados e amadores.
Iassim à bufa. Tiros! E mortos no chão...
Desinformados, tornam rota os curiosos
em filindiana iordenada (Valente piada!
No online abordam tópicos não populosos
dos temignorados, selva assim desmatada!)
Rádios emergem, novamente relevantes.
E ser escoteiro hoje não é de gozo!
Nós à frente somos todos, por nós, penantes
autorretratados no fundímpio dum poço.
E os ruídos urbanos nem são nahora calada!
O silêncio pesa como seca o verão.
Mas... as aves piam na quietaltura maçuda!
As manadas soam paz! As guerras não serão!
Se calhar, nada será mal ao nosso ver
e crer. Vamos para a cama, aconchegados,
no morno requinte, paz dótimo lazer.
(Nem se considera os fora desabrigados)
6 - 2 - Apocalipse - Crise
Levantas-te da cama
acordado e é-tegora
justo e compreensível que...
...continua.
Agora é o tríodo; não, o Triunvirato das malícias... não..., a fim ao cabo,
somente são.
Apresento-lhe a Troika:
A balada sempre consistente do real e indiferente.
Galopando...
7 - Troika perversa - Vaiacima,
vaiabaixo!
7 - Troika perversa - Vaiacima, vaiabaixo!
As coisas foram feitas para ___________.
Vaiacima, vaiabaixo!
Ontem assisti os meus Pais sa comer enquanto estava pra punheta!
Terei uma irmã?
Vaiacima, vaiabaixo!
Só havia Adão e Eva?
Correto.
Nem mais?
Correto.
Nem outro povo?
Nem mais.
Filhos de Deus cometem incesto.
Vaiacima, vaiabaixo!
Soube que as vítimas são sempre as raparigas.
Aquelas?
Aquelas das ruelas.
Jesus, tenho inveja dele.
Jesus, tenho inveja delas.
Vaiacima, vaiabaixo!
Elas que tiram fotos, essas; essas gostam de levar com mais força.
As tuas colegas?
Vaiacima, vaiabaixo!
Foi vendida pelo bem da vida (da família).
Trocas, negócios, investimentos.
Vaiacima, vaiabaixo!
Com macho a macho ou com mulher a mulher não cria outro, só prazer!
Ya, isso não é óbvio, palhaço?
Vaiacima, vaiabaixo!
Oh! o prazer que tenho em pensar na vida!
Queremos evidenciar que SOMOS, através dos prazeres da carne!
Livres, mesmo nos limites do que SOMOS.
E reparem! Vida! Aglomerados variados que dançam
ao som da balada contínua, desgastando-se lentamente.
Mas a balada continua!
Amote muito; até demais.
Demais: Overdose.
8 - Troika perversa - Manjar
8 - Troika perversa - Manjar
Quero...
Ah...
Mmm...
Boa...
...
Quero...
Não tá cá?
Boa.
Quero mais.
Ali. Oh.
Mas carne.
Vou.
"Crash!
Pin Pan Pum Pow!"
Dois.
Boa.
Oh...
Mau...
Oh...
Não quero...
Não...
Oh...
...
FIM.
9 - Troika perversa - Gaza
9 - Troika perversa - Gaza
Conseguem ver o céu azul
com o sol que o na fome e sede ferve,
antes à sombra dos lares de milhares?
Vês isto tudo à tua volta?
Cada ruína é precisa, que retomar se deve.
Todo lar é de terrorista, basta notares.
Por cruel apropriação invicta, haja gado.
Cada um que passa fome.
Cada um que passa sede.
Cada um sem teto.
Cada um sem família.
Cada um sem amigos.
Cada um sem boa saúde.
Cada um sem paz.
Que cada um tenha justiça:
Que Deus castigue o seu povo,
ou pelo menos o poder com o gatilho premido.
Pecadores.
(Terminado no 07/10/2025 23:02; Transcrito a digital no dia seguinte, às
12:17)
(Re-editado no 23/10/2025)
10 - A Carta
10 - A Carta
Do pico, da despedida à ventania.
Ave por mania, leve levitante, boiando.
Nesse sentimento. Em paz ao pavimento.
Aluado. Sono imediato no prado urbano.
Ao som da buzina estridente do de trilhas,
já enterrado em labirintos do subsolo,
des-desperto-me - Logo assim - sob o consolo
da lata, rolando-me às velozes milhas.
No quarto, no lar, no de suposto conforto,
meto-me ao meio dum colarinho que me porta.
Atraco-me a um guindaste. À beira. Num porto
a carga afunda e o ar que resta de mim se exporta.
Como em cama ou trono, sento-me bem sob água.
Pela torneira cesso d'encher água quente.
Banhado, levo-m'à lenta e em pulsada mágoa.
No morno oco-me fatiado, com algo em mente.
E a tal carta, a que os que não se vão recebem?
O que se record'à memória justifica?
Serão as razões privadas pros que perecem?
O que lê a carta?
- " ".
11 - Fechem os portões, miseráveis!
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11 - Fechem os portões, miseráveis!
E toca a das festas e guerras, a trompete!
Ocasião pra altura, a data decisiva,
prestativa pra quem mais ânimo compete.
É o fim das falhas, a origem duma diva!
Vá soldados! Avante com toda a coragem!
Vamos mudar o mundo numa só assada!
Bora adiante! Erguidos, prestem vassalagem
pois os obstáculos, por vocês, serão mais nada!
E, coordenados, lançam-se d'armas à mão
forçosamente para chocar os portões
para o eterno. E os técnicos bem deverão
pregá-lo (e aos milhares!), pra durar milhões.
Sardas enfeitam-no, prestando isolação.
Ninguém protesta à alegria. Bem choravam!
De quem será, senão do Deus que imenso amavam,
o dever de permitir pura perfeição?
Mas nem se toma o conveniente pra mão sua!
Sócrates, é a alegria o "de"mais ou o "de"pouco?
Larga-se fora a ideia: - JAMAIS! A diva nua,
que degola o mal, abraça-me. Feliz louco.
A ignorância agora é possibilidade
que existe e está cá no seu núcleo, morno peito.
Ouço a surdez tão feliz e tão satisfeito.
E cumpre-se o querer do sem fim. Sem idade.
12 - Bem vindo...
12 - Bem vindo...
À luz do alto, o sol secante de verão,
somos suficientes juntos, olhando'ao céu
e aquele seu véu andante, o branco padrão,
é ponto seguido: todos d'olhos. Paixão,
e sem razão pra estilhaçar tal altura.
E o tempo contínuo que eternamente dura
em nós perdura, rica em gentil harmonia.
No amor, amantes aos abraços
juro: Os prazeres jamais serão escassos!
Jurados, duradouros e aos serenos passos!
Desfrute. Descanse, ... relaxe e sinta o aroma...
desliga a mente e faz simples o todo em soma...
... e agarra-lha. ... Amor, ... que tão te é querido... .
Deixa passar e seja envolvido, bem vindo...
(Terminado às 10:10 horas em 8/05/2025;
Transcrito a digital às 21:31 horas do mesmo dia.)
13 - Rei Parente
13 - Rei Parente
Num abrupto instante, estou fora da cama,
sou diante duma plateia fulgurante em chama
e animada. Traças admiradas, discípulos,
esses vestem-se em joalherias. E quem mais me ama?
É mais ninguém, é tudo: Calcário e tijolos
assentam todos os solos cá confinados
e rodeiam os príncipes do clã, minha crença.
Coroa sobre a minha fidedigna cabeça.
Ego Deos sum! Que então ninguém mais a mereça!
Pro terraço daquele palacete clássico
adoram. E a luz, luminotecnia do palco,
muito aquece-me a alma, mergulhando-me. Flácido
num constante prazer d'atenção pro coração.
E os mi-se-rá-veis? Quê? Que gente? Desconheço.
E peço-lhe, nem explique o significado
pois tenho retificado que neste prado
é lei mais que natural nada ser do avesso!
E as vozes do povo, de multidões, em coro,
vozes harmoniosas, piam sinfonicamente
para os cardeais pios em Roma. Puros sem choro.
Somos (Sou) o sol! E é claro, felizmente!
(Terminado um pouco antes das 2:00 da manhã do dia 12/05/2025)
14 - Perfeição
14 - Perfeição
Quatro membros estendidos em simetria.
raios do tronco afora, radial ao núcleo sol
que transborda em sangue d'amorosa alegria!
(Nossa imagem, é ideal ter o cio e ser só?)
Canção é o frontão, é pauta, é fachada
do templo da perfeição: Exata sanção
do crer que o sonho é farsa, uma "farsada".
(Quer-se tanto já cheio cantar, neste lugar!).
Celulite define ondas, linhas barrocas,
que faz histérica crença ao pousar a mão,
nessas pernas dóricas e em escalas loucas.
Quão sublime é o resort que em praia é criado.
Busca posse: Homem ou Deus, Mundo ou Paraíso?
O que será isso e quem será o seu criado?
Fantoche, peluche, réplica costurada.
Cara de seda é fundida à chapada.
Recordo: Quatro pétalas; a cruz parida
do tronco feto, boca abertura e anus saída
pro processo. Despid'é pura, (o) a jura.
Como tudo, somos matéria. Somos carne!)
Programado paraíso, o'Homem formulou.
É o'Homem sol, o'Homem criador e ele o seu servo.
E a nova coisa pra Deus rogou: - Quem eu sou?
E Deus prestou contexto: -A vida é-me turva;
Conta-me, é certo o meu princípio que a sua alma
é tão perfeita como o circulo ou o quadrado?
E a coisa notou-se: - ... Certo... Tenha-se calma.
Sou o armado que impede o legado do passado.
Estou aqui e em todo o lado, sou o espírito santo.
Já sou o palco mundo e tu o espectador
Ah... sim... - Volveu o ex-Deus - nas falas vejo o bom tanto...
'brigado. Envolva-me fora deste pranto,
envolva-me afora, que seja bem o astro alvo,
e envolve-me adentro em si, num sono, a salvo.
(E assim foi, abraçando o corpo da sua Mãe)
15 - Cá.
15 - Cá.
Este bafo, meu amigo há anos.
Eu estou bem, deixa-me estar.
Rodeado por muros e mobília.
Sanos ou insanos, deixem-me estar.
Não quero sair daqui... quero?
É que saio quando posso mas
nem aquém sinto dentro, livre assim.
Cá Eu Possuo Tanto Espaço.
lá, mais pra alheio, só os bolsos.
E o quê? O quê em geral?
Foda-se.
Açúcar, morninho, cama, som, vídeo, sono, acordado.
Vício. Não, vontade. Sim, isso... acho eu...
Não tenhas essa expectativa: De ajustar-me pra eu ver o feliz nisso,
nesse ambiente.
Porque enquanto defines, eu cá sou.
Incerto mas satisfeito.
Mas ainda tenho sono.
Mas não quero sair.
Então Aqui Cá Estou.
...