5 - O Preciso, a Força e Lotaria.
5 – O Preciso, a Força e Lotaria.
Mato em prado esfomeado. Preencher é preciso.
Eu tenho em mal o desprezo e a ausência, a falta
que agrava-me a alma. E o (o), o sadista, no riso!
Privei-me do fruto e sou ainda pr'eles: A malta.
Persisto, por meu e vosso querido convite.
Só não creio ter o apetite e o abundante cru,
embora nada mal, fraco, nada me emite
em sede, agoniado, enjaulado em velcro.
E o órgão de Bach, carta do senhor, nos toca
contínuo! O agora diz-se eterno ao punível.
Insensível, santo acima do nosso nível,
som d'alto poder que em hegemónica ira moca!
É robô mui técnico que odeia o criado: Homem,
o simples. Castigando-o, leva-lhe a aguentar
até jamais: até que os fazeres todos se somem!
Quem o canto ousa escutar, choro milenar?
Suporta o que tens e aceita o resto afim.
Engole e simpatiza em crença da paciência.
Decência, nem cá, na espera pregas assim.
A indecência em nome da ordenada eloquência.
Ó Diabo! Nem há de se estar sem saber que
embora desejais e sonhais muito mais
por tal possível, tereis ele ou à sorte ou, se