Pequeno comentário
Aviso já, esta é a minha primeira obra.
Escrevi isto numa altura de dilemas e conflitos anteriores.
A mais, reconheço que há alguns versos que não fazem sentido (e que nem
sei sequer como remendar; aliás, não farei qualquer remendo se não tiver a
disposição para tal).
Recomendo a sequela (Discursos - Somos carne!) que é mais organizada.
Discursos pós-Janeiro só existe porque decidi documentar os meus textos
de vários cadernos.
Discursos - somos carne! existe porque tinha em mente ter um projeto do
meu interesse, gosto e vontade.
Mesmo assim, se quer mesmo ler esta obra, à vontade. Mas tenha como
garantido que serei confuso e estúpido. Espero que compreenda que este eu
do passado não é o mesmo do presente.
Desfrute!
1 - A mulher geral do teatro do
real.
Ela que muito e tanto bem é formosa.
Ela singela, amor quer a todos dar.
Ela que tanta doçura tem em prosa.
Ela, alegria o perfuma, o sujo ar.
Ela tímida, sob o seu cobertor,
Ela está num tenebroso inverno,
Ela porém, quebrou as paredes sem dor,
Ela, assim, nota-se no belo "eterno".
Ela, musa sábia pura, e que útil!
Ela única, nova a mim o bem é.
Ela quente, e ágil, nada subtil.
Ela faz crer que há algo por ter fé.
Ela serpente que a nosso mal degola.
Ela, que julga ter moral e razão,
Ela, pois, a mim ética dá esmola.
Ela, uma hipócrita imoral então.
Ela, do qual, bem é no palco do real.
Ela familiar dos filhos de bom Deus
(Ela, mas, infernal, não é o mais leal!).
Ela sadista, traidora com os seus.
Ela benedita, forte luminante.
Ela mais e além de bastante saceia.
Ela encontra a "boa" traça num instante,
a vê, ri, com ódio e dor, já por si cheia.
(Original escrito: 11:03 da manhã 13/05/2024)
(Terminado, aperfeiçoado: 9:39 de manhã 24/5/2024)
2 - A valsa do momento
Vida, tu és a valsa do momento.
Ela que, sem pedido nosso, perdura.
Sem hipótese, ao cego relento,
das saudades que faço à fartura.
De coroa erguida diz:
Idem sem retiro, gente tempo e espaço!
Sigam-me pois assim eu bem quis!
Que não se cale este mero maço
pois é eterno o caminho que faço
pois por nada razão a mim perseguis!
E o infinito mais complica:
Somente serei atrelado ao seu lado
se apanhado a si infinito sou.
Se for não eterno ou mal acompanhado,
terei que soltar aqui o simples coitado
e anular o que por si se tomou.
E os dois pra sempre ambulam na via.
Avante há o acesso, não o retrocesso.
Não há (o) para quem lembrar queria.
Eu, finito, sem verba não confesso.
(Terminado às 9:10 24/5/2024)
3 - Justiça
Reclama um e expressa ódio,
com razão motiva ato.
Condena o outro que é chato,
planeando ao outro o seu velório.
Como o alcatrão, é escuro.
Mas tal não é integrado.
O realce dá mau agrado,
ergue-se ao mulato um muro!
Achas que em mudos há sucesso?
Não rogues em pasma forma
pois vós que sentam na norma
são padrão de piso e acesso!
Podes ser benigno e culto,
sério e muito conhecido.
Porém, um mísero vulto
é pelo mal o merecido.
(Terminado às 10:53 27/05/2024)
4 - A prática da inprática
Estou calmo, porém sinto dor.
Noto assim, avalio o quanto presto,
na agora altura, minha vontade.
Se mesmo tenho algum certo amor,
não pratico por muito nem resto.
A falta então jura invalidade.
(Terminado 10:33 27/5/2024)
(Eu em 22/12/2024: Julgo que estava a contar que há coisas que eu gosto de
praticar mas que não as pratico devido a uma ilógica procrastinação.
Retratando o meu "valor" (se valor existir em primeiro lugar)).
5 - Não vingarás nem guardarás ira
contra os filhos do teu povo
Oh humano! Eu não julgo o seu rosto!
Oh amigo fraterno, que razão?
Meu comum conturbenal, irmão,
porque então causas má juus e desgosto?
(Terminado: 10:46 27/5/2024)
6 - Para os muitos que namoram
Amar e estar é passeio diferido:
O amor é algo que se tenha fome
e estar com é para quem só consome.
Só destes, sob um cândido vestido
(Mas ao avesso..., falso e mal investido!),
idolatram a adoração ao anulado
(que nem com pura intenção é dourado)
tendo estes magistrado num problema
(que mal é sabido e mal é prestado)
sobre o separado e curioso tema,
Opostos ao sonho e ao ser gasolina
que arde enquanto a vida não é fado
pois causa da beleza da varina,
boa moça mas com coração gelado
para o sonhador e novo rapaz,
a amar a bela sem no fim capaz
de ficar com ela sem ser fuzilado,
na final solitude e má paz.
Logo então, relembro como um lema:
Amar e estar com é contrário tema:
"O amor é algo que tenha-se fome
e estar com é para quem só consome".
(Terminado em 28/5/2024 15:02)
(Poema corrigido em 22/12/2024 às 2:02 da manhã)
7 - Não é assim!
"Tenha vergonha miles sócio!
Que no sexo fazes com putas,
não diluis pois gostas de futas
e às normas foges por ócio!"
-Certo - diz (o), o criticado santo
que em crítica não vê guerra,
que ao ouvir ele é no pico da serra,
que "bom" e "mau" não leva o ao desencanto.
(Nota de 2:17 22/12/2024: A mais, abaixo da assinatura e data do poema,
estavam os seguintes versos:
"Quem disse que escrevo bem
e tenha o "correto" garantido?
Quem é ofendido é quem
não se contém e nem se está aquém
com quem consciente tem sido."
)
(Nota 2: não tenho qualquer interesse em futas, espero bem só ter utilizado
o termo para explicar a prática imoral no geral.)
(Terminado: 19:28 28/05/2024)
8 - Oh tempo, volta pra trás
(Originalmente sem título)
(Às 2:21 22/12/2024, decidi o nomear de "Oh tempo, volta pra trás". "Oh
tempo, volta pra trás" é inspirado no Fado "Tempo Volta Para Trás" de Tony
de Matos)
Porquê a si, oh Lisboa, falto amor?
Porque daqui não a vejo, não o sou.
-Porque o fado - disse o meu senhor
-É morto - mas ele não o condenou...
(Não há data que documente a altura de criação)
(Nota: Senhor seria o meu Pai)
9 - Sou ___ de coração
Sou ___ de coração,
Da irritável escuridão,
Mundana, com desculpas mil
Já por ser negra e não civil.
Haverá razão? Claro, sim.
Eu antes de lá! bem mal cá vim!
Foi o ódio e a primordial assunção
que acerta a mesma e geral opinião.
Já vi brancos em tristes figuras,
de imitação e sem amargura!!!
Sobre a vida própria, sabia o ar,
o que é vã desmontar!
E as crianças, fazem qual ato?
Os fetos, porque os de logo mato?
Já eu separo quem é inocente
dos que, a si, bebé já não sente?
A pergunta responde por si.
Seja o que sê, já pereci.
A minha opinião não cabe
num mundo em que leis sabe.
Eu vejo um negro, é ser.
Só irado assumo por crer.
Mas o dever da etnia,
À maioria (tiro os casos d'ouro),
chamam razão (com o couro) a agonia
de ser muito respeitoso
e não ser vândalo mouro,
inimigo que antes fez-nos gozo.
A vítima, diária, argumenta
e não perde valor, com certeza!
E essa gente, a mim, é Portuguesa!
(Não há data que documente a altura de criação)
10 - (Sem nome)
(Sem título)
O que vejo, o que sinto?
Como a minha alma leva?
E com que olho invisto?
Repenso com honestidade:
O que os meus olhos assumem?
Porque assunção eles consumem?
Serei igual? Serei humano?
Se idealizo a realidade,
sobre os olhos então está um opaco pano.
Mas o que os meus olhos assumem?
Minha alma, personalidade, esses é que têm poder.
(Não há data que documente a altura de criação)
11 - Incontável, porém, importante
Queira-se contar dum soldado:
A vida deste tal Português
que outrora foi ele forçado
a forçar luta, nula mercês.
Ele é símbolo da resistência
(Do qual é bem glorificado),
tal é causa de triste fado
pois alguém ao soldado sentia.
Mas este perdura, secular,
inesquecível, herói do mar.
Sem cova, incontável, amante,
e antes foi vivo, importante.
(Não há data que documente a altura de criação)
12 - Cova digna de (e só digna à)
realeza!
Defunto de sangue azul
customizado pra festa final
na terra longe dos pobres a sul
habitados sob o sol, estes sob o mal.
Flores habitam a cama real
que os vivos comuns salientam,
perto de tal zona original
(então os túmulos, que os sentam).
Separados são esses pobres súbditos
que pelo rei tiveram afeição
mas só os ricos bem ditos
saúdam o El-Rei então.
Quem se tomará como seguinte?
Capacidade negligenciada.
Que o Deus piedoso a gente tinte.
Realizar o nascido por nada.
Que sonho seria esse, digo eu,
À luz numa cama de palha!
Que mundo a mero eu Deus deu.
Decerto, os seus olhos não têm falha!
(Não há data que documente a altura de criação)
13 - Pois (ou porém, ou talvez) este
sórdido.
É certo que em emoção não há sentido
pois, porém, este sórdido vestido
não conta se (o) é mesmo mendigo ou não.
Sei que é tédio notar sem emoção
mas note assim que assunção é nula e em vão
se não houver qualquer princípio nem base.
Torno claro que nesta fase,
relembro, que o que é, só é
se este algo certo considerasse.
Ai não? Como, andas sem pé?
Então, se pensas, diz-te incerto.
Do incerto tenhas em ti feito
ou de génio, ora, não és perto
caso o trapo seja mesmo dum tal jeito.
(Não há data que documente a altura de criação)
(Corrigido em 22/12/2024, às 20:49)
14 - Matemática e decisões da vida
[...]
Título completo: "Matemática e decisões da vida que causam estresse pós-
traumático aos mal afortunados e aos não tão mal afortunados".
Contexto: Escrevi isto durante a aula em que estava-se a decidir se teria um
módulo chumbado em Matemática ou não (Tive um (8,3/20))
Ai o das contas, paixão
é bem a sua tortura
por caneta à mão!
Já eu no limbo e em sorte
sou em em vida nada dura
(Oposto aos de pior porte).
Estes mal carregados,
aqueles anti-técnicos.
Peças bravas de gado.
(Não há data que documente a altura de criação, porém, é provável que seja
ou de Dezembro ou do fim de Novembro).
15 - Fome, carne e desejo.
És carne e da carne tens fome
então isso é a tua procura.
Mas terás, oh tu, quem o tome?
"Que bom comum, nula amargura!"
Notas? Liberdade não tens!
Impulso, mental, tão querido!
É por sexo que tomas bens.
Por coração, o teu marido.
Mas é muito bom, bom proveito!
Ao menos tens o que eu desejo:
Esse intenso e "mero" vosso beijo,
sereno, ao colo dum peito.
(Terminado por volta das 14:00 no dia 20/12/2024)
16 - Para mim, que solução há?
Maldito seja o portador
que a vida a míseros entrega,
pois, ao ser, maldição é dor
para quem a vista é cega.
Noto, claro, clara polémica
(Essa sendo a minha opinião);
por isso, relembro-vos a ética
que falta (até ao mais são).
Sem comoção à emoção...
embora esse tema afirme agrado
e facto oposto ao de assim viver.
Causal dor, direta à alma.
Culpa há, no viver em vão.
tomando juízo no fardo
de ser finito e nele não querer,
incerto, à morte, sem calma.
É outra dor: Perturbação.
Distúrbio que vem à memória
na altura e em noturna fração,
iluminando o em vão e a inglória.
"Mas para quem a salvação procura,
quem vê a luz e nada além;
anula-a, vendo-a pouco dura
(para quem a assunção convém)".
Digo por empatia a vocês:
Ao Niilismo não são imunes!
Somos todos sob as derrotas
e incertezas do real (e o mais!).
Vou em décimo primeiro mês!
E na sua vez? Com quem te unes?
Na perdição não há devotas
como nas missas matinais.
Não acuso falácia em crença,
acuso surdez aos demais.
Alegro vitória a quem vença.
Que fuja da situação tensa!
Para mim, que solução há?
Digo: Seja amigo da morte
ou esteja morto já.
Bem que eu, talvez, uma crença porte:
...Que porte o crer "fantasioso"
ou da possível ilusão!
Bem melhor no gozo
do que na mísera solidão!
(Terminado em 28/11/2024, às 19:09)
17 - Escrita impulsiva nº1 - (Sem
nome)
Escrita impulsiva
(Palavras são criadas propositadamente)
O Homem é severo, o Homem é duro. Este é capaz de dureza porque pensa
e é social, porque este vive, é, e é nele consciente.
O Homem, à procura e com fome do impulsivo, consome todo alimento do
prazer. O prazer de pensar, crer, amar, fazer, detestar, destruir. O Homem,
ao praticalizar, no prático, na terra da terra, ar e água, faz consequência dos
seus prazeres:
HOMEM FAZ FOME, HOMEM FAZ DOR, HOMEM FAZ AMOR,
HOMEM FAZ EXAGERO, COMOÇÃO E EMOÇÃO DE MUITO E
POUCO. HOMEM FAZ PÃO, HOMEM FAZ LEI, HOMEM FAZ IDEIA,
HOMEM FAZ AÇÃO E IMAGINAÇÃO. HOMEM FAZ NOJO, CRENÇA
E DESCRENÇA, HOMEM FAZ deus.
Deus, onde está?
O Homem também o fez mas o perdeu.
Onde o deixou?
O Homem contínua a sua procura, sem deus, dos prazeres, sem tomar
término na lista de tais causas:
HOMEM DEDILHA OS CÉUS COM A SUA MAGNA ALTURA COM
AVES QUE PORTAM CENTENAS, COM MÍSSEIS DE VIAGEM,
PESQUISA E GUERRA E COM ARRANHA CÉUS QUE RASGAM AS
NÚVENS E O AZUL LIMITE. HOMEM COBRE O MATO LIVRE POR
ALCATRÃO E TIJOLO SUFOCADO. HOMEM DESMATA PARA
CRIAR VIDA, ANIMAL E D'HOMEM.
E o Homem notou.
O Homem olhou para si e para o que fez:
-Que belo - disse ele, convencido que beleza existe - Quão sereno é a terra
da terra, ar, água, fogo e luz. Quão glorioso é o que fiz!
Olhem para as crianças a caminho à escola!
Olhem para os Homens por caminho das vias!
Olhem para os idosos isolados a apodrecer! (Isto se também não são
esquecidos)
Olhem para os capazes!
Olhem para os ignorantes!
Olhem para os felizes e perdidos, limitados a si, no mesmo linear de
capacidades como qualquer outro, limitados no seu valor físico, malditos e
à sorte da vida! Cegos a isso mas com olhos pra tudo ou com olhos pra isso
mas cegos em tudo mais!
E o Homem, após olhar para o sol, que queimava-lhe a pele, disse:
-Quanto isto dói! Quero mais!
Como devido à sua vontade da procura, o Homem edificou tetos estendidos
de tecidos por toda a terra, cobrindo a luz indeslocável.
Melhor estava, ninguém sofria de queimas, já não havia fogos nem
insolações.
Porém, de esperar, há complexidade em tudo e a luz no tudo é incluída.
Por isso, complexo é os bons do Homem garantidos no Homem:
Sem luz, não há queimas nem insolações mas sem luz não há quem ilumine,
sem luz não há caminho: sem luz não há caminho nas ruas, não há caminho
para os animais caçar, sem luz não há comida para o Homem comer, sem
luz não há caminho pra planta crescer, cega.
-ENTÃO PENSEMOS ANTES D'AGIR! RETIREM ESTE ENORME
COBERTOR JÁ!
-o que fazemos com ele, irónico humano?
-DEVEMOS O QUEIMAR DE IMEDIATO!
-NÃO! DEVEMOS O DESPEJAR ÀS GALÁXIAS!
-NÃO! DEVEMOS O DEIXAR COMO ESTÁ!
-MANUTENÇÃO É CARA, O POVO NÃO GOSTARÁ!
-QUE SA FODA O POVO, VEJAM O QUE ESTÁ EM RISCO!
Vejam o que está em risco... Pff, por favor, só quero ouvir música.
Deixem-me jogar, deixem-me estar comigo e mais ninguém.
Ou deixem-nos estar, connosco e mais ninguém!
"Que batida bonita", dizia ele, ignorante da sua morte iminente.
"Meros sobrevivencialistas, dependentes à força animal" dizia o animal,
crente do racional.
"Tanta complexidade pra tudo, não acham?"
Nota este, que reconhece o seu corpo e como dele é limitado ou , se calhar,
até dele dominado.
Este tornou-se o novo Homem, seja por pura magia ou não, improvável
talvez, incomplexo também, mas tornou-se.
Um dia o novo Homem olhou para as ruínas que antes era o teto que
dominava a cabeça dos vivos:
-Belo - disse o crente de que o belo é algo segundo o que só no belo pode
crer - e o vento sopra, tal como ontem.
Daí veio uma epifania, a maior que o Homem alguma vez já teve.
Um génio, daimon, o guiou a um caminho além do credível ao Homem.
HOMEM FEZ DAIMON.
HOMEM FEZ O CAMINHO
ESTE O TOMOU.
O que tomou? Pergunte a luz, ela tudo viu.
Mas o que é que ela não viu?
Pois, o Homem nunca a venceu e nunca a baterá.
Vejam o seu tamanho e força em luz branca! Nem mil Homens fazem o que
ela faz! Nem todo o Homem faz o que ela, numa mísera parcela de tempo,
faz.
Os Homens, nos seus cubículos doseados por percentagens socialistas
distópicas, relembram o estado que o Homem é, suscetível a muito e
dependente a muito, oposto ao sol, no centro do universo.
O Sol viu tudo, o nascimento da terra, o nascimento do mar e da terra, o
nascimento dos céus e da sua companheira das noites.
O Sol viu a vida e morte em variações e em todas as suas notáveis
complexidades, concluindo muito bem que o Homem, como tudo que vive,
é um fungo.
Deixou-se às portas da biodiversidade e pum!, como peste, nasceu o
Homem.
Tenha pena da morte duma pessoa então oh decente cidadão civilizado. Mas
não se esqueça que o bem e mal vêm de si e que o verdadeiro cândido não
existe se existência não é consciente.
Você é praga.
Pena é que o Sol não tenha, ainda, o poder de requeimar a terra da terra, ar e
mar.
O caminho do novo Homem, então, foi guiado por daimon, uma ideia do
próprio Homem.
E daimon mostrou o valor material:
-Faça uma obra - disse daimon - faça uma obra sua, pessoa.
E a pessoa fez uma obra sua.
Segundo ela, era uma obra merecida, que dava-lhe orgulho, lembrança e
prazer do seu trabalho benedito.
Porém, daimon, para a surpresa da pessoa, a destruiu de imediato.
...
A pessoa, num imediato, devido ao choque e suscetibilidade à emoção, foi-
se ao chão e desfez-se aos choros, mal sendo capaz de crer no que
testemunhou: a morte do seu filho, a sua obra:
-Porquê? PORQUE FARIA UMA COISA ASSIM TÃO HORRENDA!
-Que valor havia nisto?- volveu daimon- o vento ainda sopra, veja!
Daimon apontou para o nada que restava da obra da pessoa. O nada esvoaça
para os confins dos fins da memória, levados pelo vento, dependentes da
linha do acontecimento e da amnésia da pessoa.
-Ainda se lembra da sua obra?
-Sim, e como dói a lembrar.
-Então esqueça-a - replicou daimon - se a criação o faz vítima de tortura,
crente à proteção, não a faça!
Note ainda que o vento ainda sopra, que a corrente do mar ainda não
terminou e que as placas não abrandaram!
Pesquise os cosmos! Veja o SOL, VEJA COMO BRILHA! Guie-se à
resposta!
-O SOL NÃO PAROU DE BRILHAR! NEM EU PAREI!
-Mas a obra é mortal, uma dependência de significado para si só devido à
sua vontade de materialização.
-Também sou obra.
-Mas obras como você são feitas por inumanos, eles não são como você,
emocional, consciente.
A pessoa, descendente do Homem, não viu mais valor em obras porque este
não tinha mais a necessidade da procura do prazer nem da tortura da obra.
E este viu-se como desnecessário.
Nem via-se como preciso via perda da procura dos impulsos e, agora, sem
razão em crer na sua vida como justa. Via o mundo. Já não se vê.
Então este invalidou-se, embora necessidade não exista num mundo
complexo como o real, e somente haja para quem a praticalidade veja; ou
seja, só o que agora deixou-se tornar cinza.
HOMEM FEZ BOM E MAU.
HOMEM FEZ CRENÇA E DESCRENÇA.
HOMEM FEZ NECESSIDADE.
HOMEM FEZ VALOR E PRATICALIDADE.
HOMEM FEZ EMOÇÃO, SENTIDO E IDEIA.
HOMEM MATOU-SE e todo o resto não físico que o Homem fez,
desapareceu.
Nem desapareceu, se este nunca houve.
HOMEM não FEZ BOM nem MAU.
HOMEM não FEZ CRENÇA nem DESCRENÇA.
HOMEM não FEZ NECESSIDADE.
HOMEM não FEZ VALOR E PRATICALIDADE.
HOMEM não FEZ EMOÇÃO, nem SENTIDO, nem IDEIA.
E houve paz, embora paz nunca tivesse sido criada.
Nem houve música, nem prazer ou procura.
Nem houve preocupação nem emoção.
Os animais, de gado e estimação, morreram à fome, malditos e malfeitos à
sorte do destino, decisão do egoísta Homem.
Mas o vento ainda sopra, a corrente do mar ainda não terminou e as placas
não abrandaram, no seu tempo, contínuos sem ver razão ou justiça.
O presente nunca terminou e não termina.
Os que vivem, sem o Homem, vivem até não mais viverem, como qualquer
vida.
O Sol, vitorioso da guerra fria, celebrou como lutava, indiferente e
inconsciente.
Daimon morreu, pois este da pessoa era e dependia.
Após milhares de bilhões de tempos, as vias tornaram-se terra.
Após milhares de bilhões de tempos os arranha céus tornaram-se ar.
Após milhares de bilhões de tempos, as casas, parques, escolas, livros,
obras; tudo, virou pó e pó virou nada.
Do nada nada virou.
E de após do nada, que virá? Isso é incerto.
Pois tanto tempo passou que, tempo prova-se eterno.
Tão eterno que, vê-se que ideia não existe, já que ninguém o teve.
Passado sequer houve se nada dele há agora para o relembrar? Já que no
presente há nada?
18 - Conclusão pós-Janeiro
Escrita impulsiva nº2 - Conclusão pós-Janeiro
"Anormal este estado:
não querer mais sentir
sem ter o fim amado."
(O caos esquece...
"O" a nós perece...
boa é a paz...
tanto que ela faz...
Tenho sono, tão morno...
(cede...))
Mas ai a dor que vai dar,
isso não se é capaz!
Ruga há nesse mar!
((Hás de um dia navegar))
O mar é mar.
Ou céu, qual é?
Zarpar ou voar,
é ou a mar ou a ar!
Dois num, pumbas, tão feitas!
Agnóstico sob águas,
perguntas faz a ceitas
e pro(s) plano(s), sob mágoas.
Senão (não), não:
Paz, falta ela o é.
Não há questão
e a isso quero fé.
Senão (sim), ui misérias,
má é a via que tomo!
Via "Eternas terras sérias".
Factos além do Homo.
"Misérias? Sim??
Porquê assim?"
Eu tornei-me à isca
(sempre num só lado...)
Sou quem come à risca
em vontade sem fim.
Ser sadomasoquista,
falta-me um final.
Petisco a minha pista
pra um caminho anal, banal.
Tudo e além, incerto.
Caos, nem a perto.
(É cego o não tomado)
Oh Winchester!
Oh Filiaedes!
Gulosos!
Sois vossos,
pra Berzebu!
Maldito sejas tu
crias o prazer e mal,
o livre de caminho.
O Deus, o grande tal
cria o louvar, amar. Oh graça.
PRA MERDA! Digno de vinho!
Que vou na livre farsa!
Foda-se, sono... Mana!
Mas sou carne... Mãe sana,
medo, tenho medo de ir!
Carne ao medo! Carinho
haja, há medo de ir!
(Terminado em 20/11/2024)
Extra: Berzebu e o Justo
(Os capítulos extra são anteriores a Janeiro)
Saio de casa, cabana da paz,
desconhecendo a chegada.
Que mal é que o __* faz
para acabar nesta sala amaldiçoada?
*- é o meu nome real, censuro porque quero-lhe privado.
Conheço Berzebu, ele existe em coletivo, não em individual.
Ele perturba os meus ouvidos, distração anormal.
Provocatória e convocatória, do maior "palhaço" que existe.
Santo é o gozado, o Racional persiste.
Com moral justamente pensas:
"Que mal Deus fez a estes "inocentes"?"
Mas a realidade apresenta surpresas imensas.
Não justifica-se o circo destas gentes.
Berzebu pica mas ninguém o castiga.
Hordas livres comparadas à antiga.
Não é Deus quem educa, salva e protege a nossa mente?
"Com pena Deus existe, mas educa somente"
E Berzebu ganha poder, ou assim tal pensa
Lutes, fales, pensas ou escrevas,
não há forma, Berzebu não quer que venças.
Um ato custoso guia-te às trevas.
Um Ego antropológico ergue-se,
Amizades acabam.
Quando o apogeu acontece
ocorre a explosão cujo tanto ansiavam.
Cabum! Desaparece Pompeia!
O estresse é libertado, corta-se a veia.
O mundo desaba, as estrelas celebram.
Ri-se Berzebu, uns ossos se quebram.
Se o justo ainda têm sanidade
que ajoelhe e reze a Deus
para afastar Berzebu da cidade
por um breve e curto adeus.
(Terminado em, julgo eu, 27/11/2023)
Extra: Almôndegas
Presente no sul polo,
floresta bem encoberta
que somente o amor tolo
pode o definir, certo em descoberta.
Um par de gémeos
apoiados pela trompete real
protegem como médios
do remate a favor de dor e mal.
Após o tiro certeiro,
golo duro e enjoativo.
Quem é paneleiro
amaldiçoa o sexo ativo.
Com as pernas, ele abre as portas.
Gostas muito do livre ar,
mas quando levas nas bolas
ficas no chão a rolar!
(Não há data que documente a altura de criação, porém, estou certo que é
entre setembro a dezembro)
Extra: Por algo luto
Viva o Benfica.
Que bela noite fica:
gente cheia de pica
pela águia nossa
e vosso campo, bela fossa.
Chamaram-nos por nada,
a não ser por uma fada.
E que comece a atrapalhada!
Pelo nosso presidente
que sem esforço é valente!
Uns cantórios complicados
e os em telemóveis sentados,
que músculos têm desperdiçado.
E no facibook,
a post he took!
Olha! Estamos a conviver!
Em plástico quero sofrer
e rimas pobres quero fazer,
então 90 minutos gasto
a ver um enorme pasto.
(Não há data que documente a altura de criação, porém, sabe-se que é
anterior a Janeiro)
Extra: Taça das bolas
O que tem a honra de atenção?
Tempo livre, no dia de descanso.
Jantar todo, a ver televisão.
Que vejo? Show? Guerra ou invasão?
Não, taça das bolas vejo, que manso!
Falta aqui, corrupção ali,
desrespeito ao treinador.
Apostas tal, nos lugares do mal,
furioso fico, "juro que vi!"
Ai coitado, tenho triste dor.
O falso conto dele ele mamava,
do tal clube maldito dos douros.
Eu bem peço-lhe que vá à fava.
A polícia não, o facto cava
pago ao porto, equipa de mouros.
(Não há data que documente a altura de criação, porém, sabe-se que é
anterior a Janeiro)
Extra: Mãezita minha
Amanhecer ao luar,
um trabalho pouco giro.
Bela Mãe a ajudar,
cujo respeito eu viro,
assunto que agora miro.
Sempre aqui por mim está.
A mim, confiança abriu-me
e respeita calcutá.
Mesmo assim, óbvio viu-me.
Civil sou, rasgo o meu vime.
O teu amor ignorado
é pago como amargura.
O apoio assim deixado,
solidão assim me pendura.
Coração teu, __* fura.
• - Meu nome é mencionado.
Com arrependimento peço,
pesco eu, amor, mais um pouco.
Mihi mater, não te esqueço.
Aqui sem ti, vejo-me louco.
Forte és como a pasta Touco*(2).
*(2)- É uma pasta de dentes antiga Portuguesa.
(Não há data que documente a altura de criação, porém, sabe-se que é
anterior a Janeiro)