1 - A mulher geral do teatro do
real.
Ela que muito e tanto bem é formosa.
Ela singela, amor quer a todos dar.
Ela que tanta doçura tem em prosa.
Ela, alegria o perfuma, o sujo ar.
Ela tímida, sob o seu cobertor,
Ela está num tenebroso inverno,
Ela porém, quebrou as paredes sem dor,
Ela, assim, nota-se no belo "eterno".
Ela, musa sábia pura, e que útil!
Ela única, nova a mim o bem é.
Ela quente, e ágil, nada subtil.
Ela faz crer que há algo por ter fé.
Ela serpente que a nosso mal degola.
Ela, que julga ter moral e razão,
Ela, pois, a mim ética dá esmola.
Ela, uma hipócrita imoral então.
Ela, do qual, bem é no palco do real.
Ela familiar dos filhos de bom Deus
(Ela, mas, infernal, não é o mais leal!).
Ela sadista, traidora com os seus.
Ela benedita, forte luminante.
Ela mais e além de bastante saceia.