1 - Escrita Impulsiva n°1
(Palavras são criadas propositadamente)
O Homem é severo, o Homem é duro. Este é capaz de dureza porque pensa
e é social, porque este vive, é, e é nele consciente.
O Homem, à procura e com fome do impulsivo, consome todo o alimento
do prazer. O prazer de pensar, crer, amar, fazer, detestar, destruir. O
Homem, ao praticalizar, no prático, na terra da terra, ar e água, faz
consequência dos seus prazeres:
HOMEM FAZ FOME, HOMEM FAZ DOR, HOMEM FAZ AMOR,
HOMEM FAZ EXAGERO, COMOÇÃO E EMOÇÃO DE MUITO E
POUCO, HOMEM FAZ PÃO, HOMEM FAZ LEI, HOMEM FAZ IDEIA,
HOMEM FAZ AÇÃO E IMAGINAÇÃO, HOMEM FAZ NOJO, CRENÇA
E DESCRENÇA, HOMEM FAZ deus.
Deus, onde está?
O Homem também o fez mas o perdeu.
Onde o deixou?
O Homem contínua a sua procura, sem deus, dos prazeres, sem tomar
término na lista de tais causas:
HOMEM DEDILHA OS CÉUS COM A SUA MAGNA ALTURA, COM
AVES QUE PORTAM CENTENAS, COM MÍSSEIS DE VIAGEM,
PESQUISA E GUERRA, COM ARRANHA CÉUS QUE RASGAM AS
NUVENS E O AZUL LIMITE. HOMEM COBRE O MATO LIVRE POR
ALCATRÃO E TIJOLO SUFOCANTE. HOMEM DESMATA PARA
CRIAR VIDA, ANIMAL E D'HOMEM.
E o Homem notou.
O Homem olhou para si e para o que fez:
-Que belo - disse ele, convencido que beleza existe - Quão sereno é a terra
da terra, ar, água, fogo e luz. Quão glorioso é o que fiz.
Olhem para as crianças a caminho à escola!
Olhem para os Homens por caminho das vias!
Olhem para os idosos isolados a apodrecer! (Isto se também não são
esquecidos, parados)
Olhem para os capazes!
Olhem para os ignorantes!
Olhem para os felizes e perdidos, limitados a si, no mesmo linear de
capacidades como qualquer outro, limitados no seu valor físico, malditos e
à sorte da vida! Cegos a isso mas com olhos pra tudo ou com olhos pra isso
mas cegos em tudo mais!
E o Homem, após olhar para o sol, que queimava-lhe a pele, disse:
-Quanto isto dói! Quero mais!
Como devido à sua vontade da procura, o Homem edificou tetos estendidos
de tecidos por toda a terra, cobrindo a luz indeslocável.
Melhor estava, ninguém sofria de queimas, já não havia fogos nem
insolações.
Porém, de esperar, há complexidade em tudo e a luz no tudo é incluída.
Por isso, complexos são os bons do Homem garantidos no Homem:
Sem luz, não há queimas, nem insolações. Mas sem luz, não há quem
ilumine e, sem luz, não há caminho: sem luz não há caminho nas ruas, não
há caminho para os animais caçar, sem luz não há comida para o Homem
comer, sem luz não há caminho pra planta crescer, cega.
-ENTÃO PENSEMOS ANTES D'AGIR! RETIREM ESTE ENORME
COBERTOR JÁ!
-o que fazemos com ele, humano?
-DEVEMOS O QUEIMAR DE IMEDIATO!
-NÃO! DEVEMOS O DESPEJAR ÀS GALÁXIAS!
-NÃO! DEVEMOS O DEIXAR COMO ESTÁ!
-MANUTENÇÃO É CARA, O POVO NÃO GOSTARÁ!
-QUE SA FODA O POVO, VEJAM O QUE ESTÁ EM RISCO!
Vejam o que está em risco... Pff, por favor, só quero ouvir música.
Deixem-me jogar, deixem-me estar comigo e mais ninguém.
Ou deixem-nos estar, connosco e mais ninguém!
"Que batida bonita", dizia ele, ignorante da sua morte iminente.
"Meros sobrevivencialistas, dependentes à força animal" dizia o animal,
crente do racional.
"Tanta complexidade pra tudo, não acham?"
Nota este, que reconhece o seu corpo e como dele é limitado ou , se calhar,
até dele dominado.
Este tornou-se o novo Homem, seja por pura magia ou não, improvável
talvez, incomplexo também, mas tornou-se.
Um dia o novo Homem olhou para as ruínas que antes era o teto que
dominava a cabeça dos vivos:
-Belo - disse o crente de que o belo é algo segundo o que só no belo pode
crer - e o vento sopra, tal como ontem.
Daí veio uma epifania, a maior que o Homem alguma vez já teve.
Um génio, daimon, o guiou a um caminho além do credível ao Homem.
HOMEM FEZ DAIMON.
HOMEM FEZ O CAMINHO
ESTE O TOMOU.
O que tomou? Pergunte a luz, ela tudo viu.
Mas o que é que ela não viu?
Pois, o Homem nunca a venceu e nunca a baterá.
Vejam o seu tamanho e força em luz branca! Nem mil Homens fazem o que
ela faz! Nem todo o Homem faz o que ela, numa mísera parcela de tempo,
faz.
Os Homens, nos seus cubículos doseados por percentagens socialistas,
relembram o estado que o Homem é, suscetível a muito e dependente a
muito, oposto ao sol, no centro do universo.
O Sol viu tudo, o nascimento da terra, o nascimento do mar e da terra, o
nascimento dos céus e a da sua companheira, a das noites.
O Sol viu a vida e morte em variações e em todas as suas notáveis
complexidades, concluindo muito bem que o Homem, como tudo que vive,
é um fungo.
Deixou-se às portas da biodiversidade e pum!, como peste, nasceu o
Homem.
Tenha pena da morte duma pessoa então, ó decente cidadão civilizado. Mas
não se esqueça que o bem e mal vêm de si e que o verdadeiro cândido não
existe se existência não é consciente.
Você é praga.
Pena é que o Sol não tenha, ainda, o poder de requeimar a terra da terra, ar e
mar.
O caminho do novo Homem, então, foi guiado por daimon, uma ideia do
próprio Homem.
E daimon mostrou o valor material:
-Faça uma obra - disse daimon - faça uma obra sua, pessoa.
E a pessoa fez uma obra sua.
Segundo ela, era uma obra merecida, que dava-lhe orgulho, lembrança e
prazer do seu trabalho benedito.
Porém, daimon, para a surpresa da pessoa, a destruiu de imediato.
...
A pessoa, de imediato, devido ao choque e suscetibilidade à emoção, foi-se
ao chão e desfez-se aos choros, mal sendo capaz de crer no que
testemunhou: a morte do seu filho, a sua obra:
-Porquê? PORQUE FARIA UMA COISA ASSIM TÃO HORRENDA! O
TEMPO E ESFORÇO QUE AQUI APLIQUEI!
-Que valor havia nisto? - volveu daimon - o vento ainda sopra, veja!
Daimon apontou para o nada que restava da obra da pessoa. O nada
esvoaçava para os confins dos fins da memória, levados pelo vento,
dependentes da linha do acontecimento e da amnésia da pessoa.
-Ainda se lembra da sua obra?
-Sim, e como dói a lembrar.
-Então esqueça-a - replicou daimon - se a criação o faz vítima de tortura,
crente à proteção, não a faça!
Note ainda que o vento ainda sopra, que a corrente do mar ainda não
terminou e que as placas não abrandaram!
Pesquise os cosmos! Veja o SOL, VEJA COMO BRILHA! Guie-se à
resposta!
-O SOL NÃO PAROU DE BRILHAR! NEM EU PAREI!
-Mas a obra é mortal, uma dependência de significado para si só devido à
sua vontade de materialização.
-Também sou obra.
-Mas obras como você são feitas por inumanos, eles não são como você,
emocional.
A pessoa, descendente do Homem, não viu mais valor em obras porque este
não tinha mais a necessidade da procura do prazer nem da tortura da obra.
E este viu-se como desnecessário.
Nem via-se como preciso via perda da procura dos impulsos e, agora, sem
razão em crer na sua vida como justa via o mundo. Já não se vê.
Então este invalidou-se, embora necessidade não exista num mundo
complexo como o real, e somente haja para quem a praticalidade veja; ou
seja, só o que agora deixou-se tornar cinza.
HOMEM FEZ BOM E MAU.
HOMEM FEZ CRENÇA E DESCRENÇA.
HOMEM FEZ NECESSIDADE.
HOMEM FEZ VALOR E PRATICALIDADE.
HOMEM FEZ EMOÇÃO, SENTIDO E IDEIA.
HOMEM MATOU-SE e todo o resto não físico que o Homem fez,
desapareceu.
Nem desapareceu, se este nunca houve.
HOMEM não FEZ BOM nem MAU.
HOMEM não FEZ CRENÇA nem DESCRENÇA.
HOMEM não FEZ NECESSIDADE.
HOMEM não FEZ VALOR E PRATICALIDADE.
HOMEM não FEZ EMOÇÃO, nem SENTIDO, nem IDEIA.
E houve paz, embora paz nunca tivesse sido criada.
Nem houve música, nem prazer ou procura.
Nem houve preocupação nem emoção.
Os animais, de gado e estimação, morreram à fome, malditos e malfeitos à
sorte do destino, decisão do egoísta Homem.
Mas o vento ainda sopra, a corrente do mar ainda não terminou e as placas
não abrandaram, no seu tempo, contínuos sem ver razão ou justiça.
O presente nunca terminou e não termina.
Os que vivem, sem o Homem, vivem até não mais viverem, como qualquer
vida.
O Sol, vitorioso da guerra fria, celebrou como lutava, indiferente e
inconsciente.
Daimon morreu, pois este da pessoa era e dependia.
Após milhares de bilhões de tempos, as vias tornaram-se terra.
Após milhares de bilhões de tempos os arranha céus tornaram-se ar.
Após milhares de bilhões de tempos, as casas, parques, escolas, livros,
obras; tudo, virou pó, e pó virou nada.
Do nada nada virou.
E de após do nada, que virá? Isso é incerto.
Pois tanto tempo passou que, tempo prova-se eterno.
Tão eterno que, vê-se que ideia não existe, já que ninguém o teve.
Passado sequer houve se nada dele há agora para o relembrar? Já que no
presente há nada?
2 - Conclusão pós-Janeiro
Escrita impulsiva n°2 - Conclusão pós-Janeiro
"Anormal este estado:
não querer mais sentir
sem ter o fim amado."
(O caos esquece...
"O" a nós perece...
boa é a paz...
tanto que ela faz...
Tenho sono, tão morno...
(cede...))
Mas ai a dor que vai dar,
isso não se é capaz!
Ruga há nesse mar!
((Hás de um dia navegar))
O mar é mar.
Ou céu, qual é?
Zarpar ou voar,
é ou a mar ou a ar!
Dois num, pumbas, tão feitas!
Agnóstico sob águas,
perguntas faz a ceitas
e pro(s) plano(s), sob mágoas.
Senão (não), não:
Paz, falta ela o é.
Não há questão
e a isso quero fé.
Senão (sim), ui misérias,
má é a via que tomo!
Via "Eternas terras sérias".
Factos além do Homo.
"Misérias? Sim??
Porquê assim?"
Eu tornei-me à isca
(sempre num só lado...)
Sou quem come à risca
em vontade sem fim.
Ser sadomasoquista,
falta-me um final.
Petisco a minha pista
pra um caminho anal, banal.
Tudo e além, incerto.
Caos, nem a perto.
(É cego o não tomado)
Oh Winchester!
Oh Filiaedes!
Gulosos!
Sois vossos,
pra Berzebu!
Maldito sejas tu
crias o prazer e mal,
o livre de caminho.
O Deus, o grande tal
cria o louvar, amar. Oh graça.
PRA MERDA! Digno de vinho!
Que vou na livre farsa!
Foda-se, sono... Mana!
Mas sou carne... Mãe sana,
medo, tenho medo de ir!
Carne ao medo! Carinho
haja, há medo de ir!
3 - Interior
Escrita Impulsiva nº3 - Interior
Cidadãos de Poliagentes! Que não haja maior que nós pois já não há mais!
Finalmente se fez justiça, a nossa esperança compensada! Volvemos os
inferiores e atingimos o Nirvana da sociedade! Que haja paz e glória no
nosso dia à dia! Relembrem as próximas gerações desta conquista nossa e
da herança importante, privilegiada, que terão, como ofício, encarregados à
morte!
Winchester, Pai, traz a filha ao supermercado. Aqui está a sua lista de
compras:
Bananas
Cabo de Vassoura
Pão, Broa, Pão.
Alface
Couves
Manual de História 7ºAno (Para a filha)
Açúcar
Farinha de Trigo
Leite de soja e meio-gordo
Suporte de banco
Almofadas
-De onde veio Poliagência? - perguntou a Natália ao seu Pai.
-Oh! Tão curiosa que tu és filha, sempre o foste! Não consegues te aguentar
até chegarmos a casa? -perguntou o Pai, orgulhoso pelo que a filha estava
interessada na história da civilização em que pertence.
-Nãoooo! Não consigoooo! Quero ler agora! Agora, agora, agora! AGORA!
-Natália! Cautela filha! Não sejas assim, estamos em público!
-Não podes pelo menos me contar?
-Não perguntes a mim que eu pouco sei.
-Agora.
...
Então o Pai desistiu, ter autoria prova dificuldade. De forma alguma, o resto
que sobrava na lista não havia no supermercado.
O Pai conduz. Num par, estão a caminho ao cubículo de convivência.
A filha lê para si o Manual:
Capítulo 1 - Antiguidade Pré-Clássica
Antes do falar de Nós, tudo que havia, havia: o que havia e o mundo que
sempre houve
.
A partir daí, por muitos anos, sem Nós, foi assim.
Entre Cinco a Vinte de tempo passaram desde o aleatório surgimento de um
de Nós.
Os primeiros de Nós, no mínimo, apareceram há cinco tempo atrás.
Os primeiros de Nós, como os de Nós da atualidade, sempre viviam em
coletivo e de forma organizada e sedentarista. Estes estavam geralmente
organizados numa hierarquia sexual, dividindo os de Nós fêmeas para
tarefas como a coleção de frutos, construção de acampamentos e tarefas
domésticas; cuidar das novas gerações, cozer frutos, tear e etc...
Já os de Nós machos tinham a tarefa de ou caçar ou praticar colheitas para o
coletivo.
Capítulo 2 - Era Clássica
Com a descoberta da luz, a ideia veio à mente. Dos Nós machos surgiu as
três grandes criações de perfeição: O texto, a ordem, a força e a prática da
ausência dela.
A partir daí, a fêmea não tomou maior obrigação senão a tarefa de Mãe,
segunda ao Pai na ordem.
O macho, com a Mãe criada, criou, usando ideias, templos enormíssimos,
grandiosos na sua glória para os deuses da racionalidade. Os grandes reis
dessa época foram o Grande Ex-El-Rei D. Gygas, o insano e o Grande Ex-
El-Rei D. Ego, o primeiro verdadeiro cidadão da Poliagência.
Cidades surgiram. Com ideias, as cidades tocaram os céus.
Criou-se Harmonia, a cidade da idealização.
Criou-se Boémia, uma região e cidade da impulsiva festa.
Criou-se Ânglica, a cidade da conveniência.
Criou-se Alexandria, a cidade da estória, do saber e da suscetibilidade.
Criou-se Florência, a cidade da liberdade.
Edificou-se Sentença, a cidade justa e, ironicamente, a do condenável.
Criou-se a Índia (presente na rota da cidade Boémia à cidade Versailles), a
cidade da preguiça.
Grandes Portos surgiram, a primeira foi Fenícia:
Fenícia deriva de "Fenos" que significa "Procura e Demanda" no Fenício
arcaico.
Flandres depressa seguiu o progresso económico.
E das terras menos mundanas, Poliagência tomou início. Não como uma
civilização única e separada (devido à torre de Belém) mas sim como o
resultante de uma imersão dos povos das ideias da Era Clássica, daí
explicado a nossa definitiva superioridade.
Os povos universais do continente (esses sendo os primeiros da Poliagência,
grandes comuns) tomaram força juntos por todos os de Nós.
Capítulo 3 - Estabelecimento certo da Hegemonia e Perfeição
Por volta de... relativamente, pouco tempo atrás, a Poliagência tomou um
líder. Não rei, mas sim um elemento resultante de uma força coletiva.
A Grande Força Coletiva criou o papel racional de leis:
1 - Não há diferença entre os de Nós além da sexualidade. Sexualidade é, na
sua forma mínima, discriminatória. Pois somente é (e deve ser) nos casos
necessários (esses sendo os casos dos nossos limites físicos, incluindo os
reprodutivos).
2 - Os não de Nós (Inferiores, rejeitantes do desenvolvimento e
prosperidade), devem ser sentenciados à justa exterminação.
3 - Qualquer cidadão de Poliagência deve ter orgulhoso da sua cidadania.
Tanto que, como orgulhoso dever, deve aceitar a abdicação da sua mente
pela Grande Força Coletiva no momento em que a Grande Força Coletiva
achar, por sua escolha própria e livre, necessário.
4 - Metade da vida do cidadão Poliagente será parcela somente reservada à
dedicação às forças da Poliagência.
5 - É tomado como certo e certeza que a ideia é o completo, que a
Poliagência é das ideias, pelas ideias e que a Poliagência é tudo.
6 - A Grande Força Coletiva controla o mercado, o mercado sendo a
percentagem de frutos dedicada (muito ou pouco, relativo ao valor
merecido) a cada cidadão Poliagente.
Cada cidadão tomou estas leis ao peito e, desde hoje, também o fazemos.
A Filha sai da imersão do manual e questiona o Pai:
-De onde viemos Pai?
-Do mercado, Filha.
-Certeza?
-Sim, claro, porque não haveria de ter a certeza?
-É que aqui diz - diz ela apontando para o manual aberto no seu colo - que o
fruto é organizado pela Grande Força Coletiva e não por um mercado livre.
-Ahh... bem... - Responde o Pai de forma constrangedora.
Winchester decide não responder. Que mal haveria de ocorrer? Winchester,
no caminho ao cubículo de convivência, com cautela e medo, para si
considerou uma resposta caso ela ganhasse maior curiosidade. Ai o que lhe
acontece se souberem da ida dele ao mercado negro! Daria uma ida e volta
marcante ao manicómio (se souberem do quê que digo).
Felizmente a criança esquece, viciada no manual.
Capítulo 4 - Atualidade
Nos últimos tempos, a Poliagência foi finalmente capaz de exterminar todos
os não de Nós. Essa gloriosa conquista não anula, porém, de forma
satisfatória, a segunda lei do papel racional de leis estabelecida pela Grande
Força Coletiva; isto pois, chegou-se à certa conclusão que o caminho de
progresso, para a Poliagência, é a conquista do espaço, talvez tempo e o
todo além, continuamente.
O que há de acontecer? Somos os superiores não somos?
(O par chega entra no cubículo de convívio. A Mãe da Natália estava a ler
na sala. A Filha entra na sala eufórica)
Natália:Mãe!!
Winchester:Querida, chegamos!
Mãe:(Abraça a filha) 'Tás aqui? Ai fofinha! (Ergue a sua cabeça, vira-se
para Winchester) Já estava ma perguntar quanto cá chegavam! Vamos
(levanta-se), temos que ir comer.
(O trio dirige-se para a cozinha e sentam-se na mesa. Sobre a mesa está, já
preparado, 3 pratos esfriados.)
Winchester:Está fria!
Mãe: Claro! Já notaste quanto tempo vocês demoraram?
Winchester:(Compreensivo) Realmente...
Natália: Mãe, passas-me o sumo por favor?
Mãe: Claro, amor.
(A Mãe passa o sumo à Natália. A Natália, ao servir o seu copo, entorna-o,
molhando a mesa agora encharcada)
Winchester: Ah merda!
Mãe: (Alarma-o) Winchester!
Natália: Ai desculpa! (Tapa a cara com as mãos)
Winchester: (Suspira) Deixa, eu trato disto. Querida, onde está o pano?
Mãe: (Vira-se para atrás e estica-se para pegar o pano) Na bancada, calma
que eu pego.
Winchester: Ah, sim... (Recebe o pano) Obrigad- ...
Os olhos do Homem não conhecem
o Espaço.
Escrita Impulsiva nº3 - Interior - Os olhos do Homem não conhecem o
Espaço.
Não é em qualquer morte que há olhos implodidos, nem as tripas
arrancadas, nem os membros mutilados, nem os orifícios molestados, nem a
pele queimada, nem ossos carbonizados, nem as unhas arrancadas da carne
e na carne viva novamente impregnada. Não é qualquer morte que pinta os
azulejos de uma cozinha em vermelho, com pedaços grudados, cozidos, de
pele e sangue na parede, combinados com um vómito imediato, servido
como retrato da beleza da divisão desmaterializadora que o físico pode
tomar. Não é qualquer morte que provoca sentimentos, nem arte. Não é
qualquer morte onde o que naturalmente deve (segundo as leis inócuas do
instinto impulsivo da carne) preencher e o que naturalmente deve (também
segundo a mesma "certeza") ser vazio se interliga, um com o outro. Não é
qualquer morte onde os pés, mãos da vítima são parte de arte dentro duma
própria vagina, ou anus. Não é qualquer morte onde a sua mão espeta-lhe,
com os dedos, de forma profunda, a vista e, do nariz à mente, faça -se
semelhante duma lobotomia. Uma lobotomia que torne a sua cabeça em
papa, que essa papa desfigure o crânio, regando o mundo pela cabeça
humana acima como o fluxo de água duma fonte. Numa só faísca, de um
frame ao outro, num mero e, para o Homem, insignificante milisegundo.
Não é em qualquer morte em que se decapita a cabeça de criancinhas nem
em que se viola mulheres, nem onde se faz um homem chorar, mas
acontece, a ti e a nós; indiferente do valor (se valor sequer houver!),
indiferente se é horrendo ou se é glorioso (ou belo).
E só os de olhos é que tem visão empática e sensível, ignorante.
Exterior
Escrita Impulsiva nº3 - Interior - Exterior
Ah merda, e não é que a PUTA do mofo 'tá sempre a reaparecer EMBORA
o limpe todo e use o desumidificador?
(Tomas. De seguida, com um pano humedecido em vinagre, desfaz-se a
Poliagência!)
Vitória, vitória, acabou-se a estória.
Inspirações: Álbum "Hope" e "California Jam" de Klaatu; "G" e "Exist" de
Avenged Sevenfold; "Passacaglia" de Johann Bach; "1999" de Nirvana
(Britânica) e "Yellow Submarine" dos The Beatles.
4 - A Ultima Lição de Ana
Escrita Impulsiva nº4 - A Ultima Lição de Ana
Eu deixei a minha filha, Ana, crescer da forma mais normal.
Ela bem sucedida é, pois, tem boas notas e muitos amigos, tudo fruto do seu
imenso estudo e natural gentileza. Mas hoje chegou a hora de eu dar-lhe
uma lição diferente.
Ela chegou a casa descontraída e conciliada com a casa nada alheia e, após
uma tardia e longa aula de educação física, ela cumprimentou-nos, a mim e
à sua Mãe, que, sem o seu notado conhecimento, não estava em casa. A
seguir, sem dar-nos vista para confirmar a nossa presença, direta ela foi para
a sua cama no andar de cima, sem fechar a porta do seu arrumado quarto. O
descanso ela deseja mas o meu dever como "Pai" chama mais.
Ana, com 16 anos de idade, dormente do peito após descuidado no seu
treino, com pernas rechonchudas, com o umbigo e banha à mostra, visíveis
entre o seu irónico top e calções, com olhos castanhos como o seu cabelo à
cor de avelã, com asas depenadas como o de uma galinha, está-se por
preparar para a aula que estou prestes a dar.
Eu, agora, entro no quarto "dela" e a vejo sentada na "sua" cama,
vagamente olhando para o chão. Eu agarro-lhe pelo pescoço e cabelos
lanço-lha ao chão. Nota-se então uma ela mais acordada e mais lúcida que
segura-se (ou no mínimo tenta) para aliviar a queda, consequência do meu
lance. Mas, oh Ana! O que és tu sem os braços? Queres que te relembre o
quanto precisas desses; ou seja, desejas o saber ou desejas ignorância?
Eu então apliquei a prática, consequentemente à sua vontade. O seu
testamento vital, feito por palavra, explicita o querer saber. Será que a sua
vontade se mantém contínua? Será a sua passada opinião uma ainda
presente existência? Não importa, a sua vontade era essa e agora ela não
possui mais controlo, há justiça no que faço.
Eu, com uma faca de talho, abato o tronco dextro que é o seu meríssimo
braço. Mas ai! Ai tanto que ela berra (Mas ninguém lha ouvia)! Mas ai! Ai
o tanto que chocava a lâmina no seu ombro (e o trabalho que dava!
Qualquer um pagaria esta já pronta! Haja talho!)! E era uma, e eram duas, e
eram três, quatro e cinco, seis, e é sete e ainda está lá!
Sangue jorrava "gloriosamente", em força forçada a todo o fervor. Fazia
arte, além de magistrado sou artista (com o apoio da minha excelente
assistante, do qual é minha educanda à anos).
Finalmente soltou-se, arranquei-lhe o braço. Eu agarrei o braço e a sua
cabeça, posicionando o membro à sua frente, à vista:
Não sei quanto a ti mas um braço é tudo que vejo - Disse-lha eu.
Ela, "sinistramente" com a mão sinistra, arrastava-se pelo chão, aos berros,
lamuriando-se em choros silenciosamente. A dor, uma dor não imediata e
logo passada, não, não. É uma dor contínua a que ela sente, inesquecível no
momento (como se ignora a dor de perder um braço??), imparável, limitada
ao corpo, e por isso é condenada a sentir sofrimento. Se a dor de perder um
braço é de querer deter, como será ao perder o outro?
Este foi mais fácil, evitei os erros da primeira.
Querias fugir, não era Ana? Querias te arrastar daqui para fora?
"Infelizmente" (pensa bem de que forma refiro "infelizmente", estudante), a
lição ainda não terminou. Ainda estavas (e ainda estás) por educar. Querias
te agarrar a algo não? Digo, apertar ou esmagar um peso à morte? Querias
uma bola anti-estresse para "segurar" essa dor? Querias arranhar, furar,
perfurar, cavar esse chão diante a tua delicada face até que nem carne haja
restante nos teus dedos? Se não fosse pelo cuidado que tinhas com essas
enormes e vaidosas unhas, não serias limitada a tal, pois não?
Enquanto arrancava-lhe o braço, notei que: Tal unhas tal quê! Já não há
unhas para esta! Nem carne! Esferográficas comparam-se com os seus
dedos e a tinta com o seu próprio sangue. Engraçado, afinal de contas, neste
caso, ter ou não ter unhas grandes não faz diferença alguma.
Como te vais levantar agora? Vá, eu faço-te a mercê de levantar-te. Corre.
Eu abro-te a porta, livro-te o caminho, desce a escada que a ti se propõe e,
com o sangue que ainda milagrosamente corre em ti, grita por ajuda!
Mostra-te o quão suscetível és, admite isso pedindo ajuda mas cuidado, não
caias! Há quem tenha mais equilíbrio que tu, oh Maneta.
Não precisavas cair (nem precisavas fugir. Vê-se mesmo que ainda não
aprendeste a tua lição. Natural humana tu, mulher).
Enquanto uma galinha, sem asas, em um caótico pânico, ambulante, pelas
escadas abaixo, rebolava e perecia, eu descia as escadas, casualmente (Ela
não vai fugir, conheço os seus exatos e perfeitos limites), até a sala de estar
no rés-de-chão para sacar de lá um serrote, à espera e preparado sobre uma
mesa para o seu ofício que será, por dever meu, executado.
Voltei-me a ela. Ela, caída, estava nos primeiros degraus onde antes andava
inteira; que agora serve como "má" figura, merecedora de reestruturação,
com baba e ranho em uma gosma conjunta, complementar com o fluente
tapete líquido e contínuo de sangue; volvendo (em mexida e em resposta)
em esganiçados femininos, reagindo ao que, "desprezada", vê: o que seguro
na mão.
Suplicas suicidio assistido? Suplicas, ou, eutanásia? Como? Como súplicas
e como se faz?
Enquanto tiveres pernas, uma escapatória será possível. Deixa-me então
tomar a liberdade de a auxiliar.
A minha cara está borrada em sangue da minha filha. Mas ela é uma mulher
e eu não sou o seu Pai, sou um Homem.
As suas cuecas que, por acaso, vieram-me à vista, além de manchadas em
sangue, estavam tingidas em um desfiltrado, impuro mijo de enorme fedor.
A sua urina marcava território em grande cheirete já desde o chão do
quarto, onde ela antes tinha caído, até, como é agora claro, o início das
escadas.
Nem dois minutos passaram, mas para ela, aposto, a dor que sofre equivale
a de muitas vidas. Sei lá, se calhar até de gerações! O que bem a replica
(replica a dor) é o da consequência duma guerra, não? Embora em filmes
não haja tanto o que os ignorantes chamam de "desgraça" (sendo também
um termo conforme para esta desconformada e deformada figura).
Oh Ana! Terás nome além do que te caracteriza? Só és "Ana" porque uns (e
tu) assim o dizem. O nome é uma cara condicional e de forma nenhuma
uma certeza na sua definição. Então Ana (ou Joana, ou Matilde, ou
Mariana, ou Maria, ou X, ou "1"; ou mulher), o que serás tu além de
mulher?
Pois, uma mulher. O que é que uma mulher é? Um Homem, correto! Podes
me contar o que é um animal e um Homem? Então se sabemos que não
somos nem mais nem menos que animais (seres vivos), de que forma
separas uma mulher de um... digamos... animal "selvagem"? Não somos
também animais "selvagens" se a selva é o nosso ambiente por nós
conduzido? Ou então julgas que não; que não somos selvagens, assim
admitindo que somos mais direcionados para o seu oposto: O animal
doméstico? Grandes diferenças são essas, racionalidade! Poupa-me, como
se os outros não tivessem raciocínio.
Tudo bem cobra Mãe, põe os teus ovos, é o que o teu instinto assim diz! O
dever não se opõe à vontade do código.
Máquinas, somos carne!
"Controla-te Homem, não te deixes ir, não te deixes levar! Não sejas
motivado ao ato pelas tuas emoções e pensa de forma justa e racional que é
assim que nos distinguimos dos por sua vontade (se tiverem alguma. Será
vontade instinto?), crentes do rei; do grande rei da ilha dos cães e
condenados!"
Toquem os tambores com todo o fervor pois a morte está à tua espera,
ansiosa por si, mulher!
Repara que o animal é limitado a um "controlo", mas de certeza o diferente
não és tu! Não! Nem de forma alguma! O outro diferente será, por lógica, o
desfeito, não funcional. Tu és limitada ao físico. Braços, pernas, tronco,
pescoço e cabeça são tudo, somente, no teu "controlo". Ah, e a mente.
O controlar é o instinto? É o instinto o racionalizar ou o não racionalizar!?
Será inclaro, então sê clara nisto: Repara agora, licenciada:
Agora sabes a possibilidade da limitação física (haverá limitação na
consciência se tal não consiste em ter vontade ou ação do consciente?
Haverá consciência limitada se não houver consciência livre? Se não
houver consciência livre, pode-se bem não caracterizar a consciência de
"limitada" como houvesse um oposto. Talvez então, consciência por
natureza é uma prisão, inutilizando o complemento "limitada" à palavra
"consciência").
Até eu, se calhar, no ensino com a singular filosofia auto-proclamada
(porque assim quis) da única verdade, estou incorreto; privado do imaterial
conceito da verdade (se este houver).
Mas agradece que agora faleces. Tu que agora morres num orgasmo de
sofrimento e agonia. Já lá foram os braços e as pernas. Agora, o que é que
falta?
Pescoço frígido é este, não? Naturalmente não é o inverso? Deixa p'ra lá;
afinal de contas, somos todos mutações diferentes, de longe modelos
perfeitos (mal lembrava que o teu morno sangue se esvai).
Quanto é a Ana agora? Um ou cinco? O braço (individual) ou perna (um,
também individual) da Ana não é a Ana. O que faz a Ana A Ana? A sua
aparência e personalidade certo? A personalidade não prova que o braço da
Ana é A Ana. Estamos a falar de algo que mal é físico (o comportamento na
mente) pode caracterizar tudo que é braço ou perna! Anulemos então a
personalidade. Então o que faz a Ana A Ana é a sua cara, face, tudo que
seja físico e apresentável; a aparência.
Então se o braço, ou perna, da Ana não for aparente dela (do qual,
efetivamente, não é) então o braço, ou perna, que antes era da mesma, não é
Ana. Pois bem o braço da mulher é "o braço da mulher" e não "braço
mulher" ("braço da Ana" e não "braço Ana"). O braço não é mulher, o braço
é possuído pela mulher como um item.
Ana, eu tenho-te nas minhas mãos; nas minhas mãos possuo a tua bandeira
e, talvez, até item. Fiz um bom trabalho como Pai (Pai: Um mero nome para
um ser-vivo que biologicamente colaborou para um nascimento, nada mais
que isso, somente isto no mínimo).
Embora, acrescento, não haja bom e mau além do conceito muito subjetivo
das emoções, racionalidade ou, em resumo, possível instinto humano, tomo
ainda como prioridade o meu conforto e vontade (Pois ser Pai não envolve
mais que ser Pai. Anula-se humanidade).
Sempre tive o interesse em experimentar taxidermia. Pergunto-me, quanto
trabalho dará? Embora haja muito trabalho por vir, muita matéria por
remendar.
Bora embalsamar!
5 - Sob o Castigo de Deus: Ser
Humano
Escrita Impulsiva nº5 - Sob o Castigo de Deus: Ser Humano
Haja controle além do incontrolável ato, oposto ao "terrível" e falso mártir.
Consideremos esse pelo seu nome: Impulsividade.
Sou viciado. Viciado na carne, eu preciso. Eu quero.
Eu quero, quero, quero e quero! A frustração! Desfruto anulado, impedido.
De mim a via é desconectada, cortada, um limite mas, ironicamente, sem
cessar a suscetibilidade e vício do precisar (e sem a liberdade de a terminar.
O prazer e sensação é incessante).
Aceita esta ignobilidade, fútil ser (como valor houvesse...).
Aceita o quão longe pode a tua mão alcançar. Qual é a sua máxima
distância? Quão distentido pode o meu (ou o teu) braço ser e o quão longe
pode este chegar em um só comigo (ou contigo)?
Aceito o vício mas é distante a satisfação. Onde está o que me esperava
garantido? E na sede, quando tenho o privilégio de saciar-me com uma
mera gota de água, seja salgada como o do mar até, não distancio-me de um
drogado.
Estas substâncias, as minhas necessidades.
Programado fui. Ser dependente, pedinte do sexo, da compania, do morno
abraço, da atenção, da dor prazerosa e do prazer em geral. É humano e isto
custa-nos muito; é pista da nossa prisão, logo evidenciada no nascimento
que é sem o nosso consentimento ou livre escolha.
Abraça-me amor, para sempre.
Tenho saudades do prazer que foi, um prazer que era capaz de nem existir.
Esse que foi era da altura que julgava que de verdade o que fora era melhor.
Que malandro conceito é esta pura "matéria" nostálgica.
Repugnas-me? Os meus gostos são tabus? Julgas-me então; há nada que
possa fazer (mais um muro intrespassável, novamente). Julga-me então;
alimenta-me a ansiedade que tanto desprezo.
Tenho sono.
6 - Não me recordo, custa-me
lembrar e não sei, simplesmente
não sei.
Escrita Impulsiva nº6 - Não me recordo, custa-me lembrar e não sei,
simplesmente não sei.
É claro que sou um jovem incompleto
pois eu sou um novo aprendiz desprezado,
amalgamado caos, preso algemado
e privado do mundo predileto.
Há ironia sobre o elogiado esperto:
As cegas chagas no corpo domado
pesam no eu afogado, no rio que nado,
com fatiga do ser MAIS! MAIS completo!
E, com uma longe glória que não provém,
torno-me assim fácil cobardemente:
É vício, brasa que o rei abraça quente.
E, de facto, noto o que mais convém.
E o que era o tempo que perdeu-se na dor?
Foi cara lei mas já vazio em valor.
7 - Crê Nisto, nem mais.
Escrita impulsiva n°7 - Crê Nisto, nem mais.
"Acabe com a sua mente!
Se procura, nem paz faz!
Seja um ignóbil incapaz!
Crê: Lembrança não se sente!"
E com juízo, a velhaça
bem mal crê - Decerto parvo,
ou este, no ato, boa farsa faça!
"Mas ora, tragam o reboque
pois talvez serás em choque
e às súplicas pra Deus:
-Retire o "saber" dos seus!"
8 - Escrita impulsiva nº 8
Desejo-te. Perdoa-me do egoísmo se este é negativo mas a verdade é que
desejo-te. Eu preciso de ti, tanto, tanto que por ti sou carente.
Que o teu suave toque lembre o carente e pecador eu das delícias da vida e
do belo que há em ti, da beleza que há em ti. Sejamos harmonia, nós ambos.
Mútuos, sejamos perfeitas melodias, cândidas e beneditas pros mais
desejados românticos (esses como eu).
Desejada, peço-te como se fosses uma figura materna, minha Mãe: Sê
minha e que eu seja o teu homem. Ensina-me a ser adulto em ordem e sê
comigo, ser para o meu coração e nada mais.
Quero inspirar e, num instante, estar contigo, abraçados reciprocamente.
Que os teus cabelos, braços e palavras sejam para o meu dorido pescoço e
mente o predileto conforto. Que seja essa tua morna coberta que estende-se,
cobrindo tal, pelo resto do meu corpo apaixonado que pede em ti ser
fluente, e que esse cobertor seja o auge, o altíssimo pico, o maior que há, da
minha vida.
Que o teu peito seja a paz que desejo abraçar; o único, o teu, que reconheço
possível, como o de uma Mãe. Deixa-me finalmente silenciar o ruidoso
caos que é tudo que os meus sentidos sentem e permite-me finalmente
esquecer as maldições deste mundo. Que haja só tu e eu.
Que possa cá estar para te amar; para dar-te a mão quando precisas, para ser
o teu ouvido e diário. Permita-me tornar os teus desejos possíveis uma
realidade (desejo egoísta o meu, querer-te o melhor. Sem ironia) e deixa-te
ver, comigo, feliz. Que sejam os meus braços um resistente berço que te há
de guiar por todos os cantos do mundo, pelos céus paradisíacos que
sonhamos e que seja a minha barba e cor de pele fontes de graça e paródia,
pura felicidade, para fazer-te rir por muitos mais anos por vir.
Deixa-me ver-te e deixa-te ser vista e, por ti, farei o mesmo.
9 - Somos carne!
Escrita impulsiva nº9 - Somos carne!
Naquele tal sexto dia de criação
o bom celestial tinha na sua mão
o último complemento pro Homem:
O "nosso" filtro: Paixão e emoção.
Ótimo! Vemos! Mas os factos já não se podem!
Somos sob um céu, uma opaca janela,
à luz, enjaulados na rede dela:
A rainha de exatos corpos, limites
e de uns incertos tempos seguintes
(que nunca nos haveremos de testemunhar!).
10 - Memória nº1
(Texto escrito no momento e não corrigido. Não há maior honestidade do
que esta. É de se esperar erros)
O que é dormi? Nem os meus olhos que colados como traças ao sol bem
estavam tem boca para contar o mito que foi esta noite. É como nós tivesse
se passado, como uma experiência não fosse discriminada, mas esta foi.
Turma! Olhem para mim! Fiz uma direta!
Agora posso pousar-me e por me ao sono, uma vontade que agora tenho,
mereço um descanso eterno. embora isso, o descanso não vem. Como assim
agora noa durmo? Como assim tenho um dia com que lidar? Como assim, o
mundo está à minha espera. O mundo não pode esperar? É que não sei se eu
posso. É surreal não acordar devido ao rugido traumatizante do alarme,
rodeado pela penumbra e turbulência. Vejo-me parte da escuridão, ou
melhor, da sombra, à mercê da luz da esperança e do conforto que é a do
meu smartphone. Não há maior felicidade senão ver a felicidade dos outros,
ganho assim felicidade, julgo eu.
Julgo eu pois julgo que isso seja felicidade, conforto, é tudo que sei, isso
que digo. Mesmo assim não sei com que mente teria eu quando estava a
ver-me a passar as horas, notando, atrás de mim, o relógio, que estou onde o
Homem não deve estar. O que devo ter pensado? "Fico até às 6:00, depois
coloco um estado online."
Fiz isso.
Sinto-me vazio.
Não não sinto, isso é um falso eu que quer fazer drama. A verdade é que
sinto orgulhoso. ligeiramente, mas orgulhoso de qualquer forma. Embora
sinta orgulho ainda tenho fome para mais atenção.
Muita muita fome.
Se calhar então sinto-me vazio.
Desejo tanto um abraço, os unicos abraços que agora tive foram os da
minha imaginação, quando imagino paz e conforto, apoio e amor, e quando
vejo os outros felizes, feliz eu colado ao ecrã.
Não estou colado ao ecrã, eu sou um com o ecrã.
Já sei porque Deus faz o Homem Dormir.
O Homem dorme para não realizar-se do tenebroso em sí, para iludir-se nas
suas memórias, dependente ao vício, droga, droga boa, que é o sono. Sonho
viciado no sono, pois aventurei-me num desafio mortal, deparei-me com o
que escondemos no dia, o que escondemos ao socializar, o que escondemos
ao pensar.
Agora que nem penso, só sou cliente à livre vontade dos olhos, deparo-me
com os calafrios e desconfortos que são causa do caminho teste estremo do
físico e mente do Homem, ou pelo menos do meu.
NÃO TE ATREVAS A DIZER QUE GANHEI NADA COM ISTO.
VALOR NÃO EXISTE, NÃO PROCURES VALOR EM ALGO QUE
NÃO EXISTE ALÉM DO QUE, NOS NOSSOS OLHOS, DEPENDENTE
ÀS EMOÇÕES, É RELATIVO.
Eu ganhei algo, senti algo, só nao tenho a memoria para me lembrar do que
estava a fazer à 5 minutos atrás.
Admiro que ainda não me tenha tornado num vegetal.
14/01/2025 6:39 horas da manhã
11 - Uma semana (o diário).
Escrita impulsiva nº10 - Uma semana (o diário).
Domingo
(Falamos!)
Que loucura, Deus deu glória ao seu.
As intricações sociais cá são
e em nós a fofoca renasceu.
Voltamos! Ao rubro e sem razão!
Segunda
(Pensava que sabia pois muito estudei)
Eu já estava no aguardo
pra o momento degradado:
Uma boa avaliação negada.
Tanto esforço lida a nada.
Embora mentira, se não dou tudo
é jus falha; mesmo de origem nativa,
terra natal minha: Febre no estudo.
Terça (Sem título)
O que em alarme tens por informar?
A espera pedida põe-me acabado.
Estou gélido e mal, quieto no fado
e em pranto sofro. Eu, só, num só par.
Se ao menos fosse no namoro!
Mas é vítima voluntária em choro:
Eu; na amizade custosa em deveres.
Quarta
(Sem título)
Não sou capaz de falar,
não sou capaz de pensar;
então Escrevo.
Mas o infortúnio é que
faço-o demais e se
o perco, nem isso serei capaz.
Quinta
(Berzebu e o Justo II)
Ódio na aula, muito ódio
pro ócio de Berzebu
(Meu, esta merda outra vez?!).
Oxalá que o justo vá
prá paz (sabes lá se uma há!).
O que estará na sua mente
oh rei, Deus, o incompetente?
'Tão Berzebu? E tu, Justo?
É claro... tudo tem custo!
Sexta
(Toxicodependência Solar)
Num dia, o sol é a nossa luz.
A euforia em chuva, de tal modo
tanta que foi impor; até reduz
prato que em apelo discordo.
Os bons choros são abundantes,
mantém-me fresco por um tanto...
Pós-término, suplico o d'antes.
Prego a mija do Pedro santo!
Sábado
(Este pequeno projeto é digno de ter um poema final.)
Eu quero, é agora, agora!
É agora, dê-se só e chora!
É agora, eu quero! Sim!
Hoje é hoje! Tomo o mundo
sem indagar dumais imundo!
Códigos dessincronizados, avariados.
Ejaculo e molesto presses lados!
HAHA HAHA! HAHA HAHA!
Agora! Nunc! Sem vergonha! Sem... olha, fodasse...
O respeito, e espaço, são história!
Isto, é, pra, vós; gentes, da, glória!
Vulgos, rameiras dalgum! Putaria de primeira!
Caga prideia e, mas crente em bom, lambe a traseira!
Vês o "belo" no real? Existe tal?
Nem se indaga! À cona volto a maçar.
Vou violar, estuprar a lei!
Nada mimpede, isseu sei
e é real escolha, não esse vosso tal "azar".
"Pura consequência!"
HAHA HAHA! HAHA HAHA!
Agora! Agora! É chance, eu posso!
Vou comer, vou cagar,
vou beber, vou mijar
com brusco intento!
Livres de mim! Sim, e por mim!
Libertos ao relento!
Vou comer (roubar)!
Vou beber (matar!)
Eu vejo, o muro
e o seu erguido portão seguro!
Sa fodaz-se! Nem sindaga-se!
Tanto é o açúcar;
porque não só nele se focar?
HAHA HAHA! HAHA HAHA!
A graça (em mais formas que uma)!
Bebo o vómito da gregada
Manjo-lha em real a placenta.
Sucumbo em ações; é o fim, e nada.
12 - Exterior II
Escrita impulsiva nº11 - Exterior II
Olá, boa tarde. Venho aqui por este meio direcionar a mensagem da
testemunha: Eu, o Cantor.
Estava no meu cubículo de convívio. Tinha acabado de retornar da ida do
meu centro de ofício, do qual, levou-me, naquele dia em específico, aos
meus máximos esforços.
Estava exausto.
Após uma pausa que tirei para respirar no sofá, levantei-me com todas as
minhas restantes forças para um refrescante banho (esses revitalizantes e
purificadores banhos tornaram-se mais e mais o normal diário para mim.
Essa rotina já era-me considerada casual nos dias em que estava mais
exausto).
Na secção sanitária do meu cubículo, limpei-me da sujeira e dos males do
dia (além do pó e da terra natural). Era por volta das onze da noite quando
estava na cama envolvido em lençóis e bem acolchoado. Depois de meter-
me todo bem metido, bem mantido; aventurei-me em saciar a minha fome
num livro que já ansiava em terminar há alguns dias. Esse banquete
terminou um quarto para a meia-noite, quando cheguei à conclusão que já
chegava; que a minha curiosidade estava finalmente só semi-esfomeada. A
ansiedade restante seria desfeita no dia seguinte. Que continuasse amanhã,
pois, no de hoje já bastava.
Após, decidido, ter pousado a minha pesada cabeça e frígido pescoço, fui-
me ao sono como uma pedra.
Virei a pedra-mãe.
Acordei por volta das, creio eu, oito da manhã. Essa hora era, na minha
opinião, a altura predileta para o café da manhã. Mas para a minha surpresa,
a esperada manhã não foi a que se concretizou pois logo vi (tudo que vi!) o
que era sobre mim. Tudo que via em cima de mim, nas cobertas, edredons e
lençóis, eram milhares (senão milhões!) de pontos inconsistentes e em
ligeiros movimentos.
É mais fácil comparar aquela minha cena (terrível vista!) com a de uma
interferência numa televisão. Isso com intricações em alta escala, tudo além
do imaginável possível nos meus lençóis.
Eu estendi as minhas mãos, as levantei e delas vi muitos mais milhares
(senão milhões!) de pontos.
A fatiga do dia anterior ainda julgava-me; batia-me à mente, no meu
raciocínio. Mas quando tomou-se o tempo em ação para eu processar a
situação eu caguei-me completamente a mil e saltei da cama a fora em
absoluto e enervado desespero. Eu, melindroso, exclamei em altos berros,
cheio de calafrios a correr pelo corpo pelo nojo de milhares (senão
milhões!) de aparentes insetos.
O que era aquilo? - Pensei naturalmente enquanto corria para o sector
sanitário do meu cubículo.
Nesse espaço assim notei: Na ansiedade de estar num lúcido e sinistro real
invés de um mero pesadelo, fui verificar a certeza na reflexão do espelho. O
"Eu" apoiava-se na cerâmica do lavatório com uma careta de enjoado e...
tinha neve a cobrir-se dos ombros à cabeça!
Estou parvo? Isto nem é de matar, isto é somente ridículo, absolutamente
ridículo!
Mas bem explicava o porquê que não estava tão coberto de bactérias na
cabeça comparado com o resto do corpo.
Lavei as minhas deploráveis mãos. Já bastavam os calos, agora esta maldita
infeção.
O que será aquilo? - Pensei eu novamente, espreitando pela porta para a
cama em que dormia - Serão fungos?
Pensei duas vezes e voltei atrás, agarrei num isqueiro que tinha guardado no
armário e voltei para o quarto (fazendo caminho, de rota longe dos
obstáculos no chão; evitando o musgo), abri a janela, saquei todo o tecido
da cama numa só alçada, tudo incendiei e tudo lancei pela janela fora.
Então nevava pontos negros. Os que se levavam pela força do vento
ascendiam aos céus e lá formavam nuvens gigantes. Houve então, nuns
limites, enormes nódoas de escuridão constituídas por, imagino, sujeira.
Imaginem se eu tivesse feito o mesmo onde durmo; digo, ter sido a força do
vento no ar pouco mexido do meu sítio de sono. Teria lançado o sujo
diretamente à minha cabeça e, suponho, seria vítima de um espesso pó,
sufocado no tóxico à morte.
Tomei a melhor escolha, a melhor decisão.
Ainda estou por saber a causa daquele acidente. Já eu julguei que fosse... sei
lá. Talvez foi algo que comi ou se calhar foi porque esqueci de secar as
costas após tomar banho. É possível que aquele buraco negro tenha nascido
de uma dessas assunções minhas. Ou foi talvez devido a uma outra coisa
sobrenatural, um mistério desses.
Independentemente da causa, decidi tomar cautela. Preveni-me e montei um
monte de velas acesas, de forte incenso, para afastar-me dos possíveis maus
espíritos (e malícia em geral).
Cumprimentos ao leitor,
o Cantor.
Interior II
Escrita impulsiva nº11 - Interior II
Havia um sítio. O seu nome não se sabia. Sabemos que era um
relativamente semelhante ao nosso.
Era uma terra deserta, inóspita, repleta de terra rígida como pedra e terra
seca como areia. E choveu; não de cima a baixo como esperado mas da
terra baixa acima. Este inesperado fenómeno é, ainda para os interessados
arqueológicos, inexplicável; mas alguns julgam que haviam lençóis d'água
na terra interior; no núcleo daquele mundo.
A terra Mãe possuía uma bexiga e a sua urina benta hidratou o mundo de
savanas que resultou desse grande florescimento. D'ai, a grama foi
fomentada e os mundos criados.
Da semeada terra nasceu uma civilização, próspera e inigualável (superior)
a qualquer superpotência dos mundos de hoje. As imponentes montanhas de
cabanas quase ascenderam aos limites conhecidos pelos vivos conscientes:
O céu escuro que só os olhos deles conheciam. Esse nevoeiro no limite do
visível foi-lhes o desconhecido para o sempre deles.
A Terra (o que nomeavam ao mundo) era plana e repleta de recursos no
local explorado dentro do possível. Além do mundo hidratado, sabia-se do
além desse: Um mundo vazio, pobre e sem fundação alguma para
sobrevivência. Por isso, julgava-se que a Terra era continuamente plana,
eterna, sem qualquer limite.
Numa certa altura, foi possível produzir suplementos em regiões desertas.
Isso solucionou o problema de sobrepopulação em zonas sem vácuo algum,
e, a mais, resolveu ligeiramente o défice de organização (um problema em
específico que nunca chegou a ser terminado).
Numa outra certa altura, a demografia, de uma forma geral, consistia de
milhares (senão milhões!) de gente de "eles" vivos. Nesse apogeu utópico
(ou distópia de latas enlatadas, chamem-lhe o que quiserem), desenvolveu-
se por construção milhões (senão bilhões!) de cidades, cabines, casas,
cabanas, caminhos de conscientes e caminhos como compridíssimos
canhões (esses sendo tubos).
E continuava sem fim, não terminava, era só mais, mais, mais, mais, mais e
mais! Museus tinham corredores em expansão, continuamente,
eternamente, sem espera! As exposições, a arte, era tanta, muita, demais!
Os vivos, produzidos em fábricas, eram transportados em tapetes rolantes,
tubos, elevadores e escadas iluminadas por luzes industriais de ciano,
contrastados com paredes "candidamente" brancas, alimentados por sólidos,
líquidos e gases e depois armazenados em armazéns: Cadeias para os presos
num mundo deles, ilusório, de só e constante prazer.
Esses pacientes "voluntários" do sistema deixavam-se levar nesses
caminhos até serem abruptamente incinerados em centros de destituição de
seniores. As restantes matérias desses corpos esturrados eram de seguida
reciclados e processados para servirem como suplementos para os outros
muitos vivos cuja hora ainda estava por chegar.
Tudo desmatava o vivo natural pela máquina do sistema do conveniente
consumo. Uma máquina de complicações: Máquinas ligadas umas às outras
em cabos desorganizados em espaços de árduo acesso, é esse o tipo de
mundo de que estamos a falar.
E os em pé, não ligados à grandíssima máquina do todo barafundado,
serviam como escravos pela manutenção do sistema (já que a máquina fazia
tanto, não era capaz de safar-se sozinha sem a ajuda de alguns). Mas esses
escravos que menciono não eram gentes empregadas à força, com uma
lâmina ao pescoço, com algemas e coleira; não, não. Eram civis educados
para assim serem. Eram educados, também, em terem pena e,
principalmente, culpa.
Se esses não auxiliassem a grandíssima máquina, todos certamente
morreriam (ou era assim prometido pela máquina, mas verdadeiramente
mentindo). Todos, todos "certamente" morreriam (incluindo os civis
escravos que dependiam dos suplementos que a grande máquina
providenciava)! E ninguém queria isso, nem eles; relembro: Os civis foram
educados para assim serem.
Ironicamente pois, e menciono de forma discreta (que isto não saia daqui),
isto inclui-se em comum, também, nas gentes de "Nós", Poliagentes.
Porém, num dia, a terra ergueu-se. O chão subiu, lançando acima centros de
armazenamento, centros de processamento, cabanas; de tudo, ridiculamente
lançados aos ares. Milhões (senão bilhões!). Rachaduras furam, cortantes,
perfurantes, o solo e dividem os mundos, continentes, em enormes vales,
ondulantes como o mar, ondas de edredons.
Os "sortudos" tiveram o azar de ter uma morte "consciente". Testemunhas
do apocalipse inevitável do fatídico número oito tiveram o banco VIP para
a esmagadora experiência de ser tornado em pó por "toneladas" (segundo o
que eles consideravam) de muros de tijolos e dos corpos dos seus seres
irmãos.
Os "azarados" tiveram a sorte do acontecimento indiferente. Estes se não
ardiam nos crematórios, eram incinerados pelos enormes fogos destrutivos
que vinham dos tetos dos seus mundos de ilusões enlatadas, fogos que lhes
rodeavam e que instantâneamente lhes tornavam nada.
Nesse demorado sofrimento de um mundo (se mundos têm proporções,
imaginemos que o tempo é, igualmente proporcionalizando, mais devagar),
notou-se, para a vista dos mais próximos (o mundo é enorme e, como
esperado, nem tudo é visto coletivamente por todos) o abominável e, por
eles, sempre julgado imóvel, monte: A cabeça elevada do Cantor. Esse
monte ergueu-se pelas décadas caóticas do apocalipse até chegar a uma
tamanha altura! Nas horas finais do julgamento, era possível testemunhar
todo o seu corpo, tocando o além , por eles, inalcançável. Como um vulcão,
as células de pele que antes vestiam o gigantesco Cantor descenderam às
cabeças das vítimas como meteoritos!
A seguir, os montes restantes que não tinham ido de mau para pior foram
lançados para o nunca. A mais da enorme força do Cantor (do saltar da
cama), com um ensurdecedor grito, explodiu todas as cabecinhas de todos
os pequenos vivos. Os pequenotes não suportavam aquelas vibrações.
Por anos, escuridão reinou naquele desolado e persistente mundo. Tempo
culpado. Morte absoluta até que, num certo momento, houve limpeza no
composto, tudo em cinza pelo final e redentor fogo.
13 - Rico Mentiroso
Escrita impulsiva nº12 - Rico Mentiroso
Tu no ócio, oh valente batoteiro,
e o teu claro passado te condena!
Peão em não, fitas o atalho primeiro,
mas hoje te impedem da boa centena!
Sabemos bem que foges do sistema
mas és tão pouco como qualquer um,
individual e por tão pouco algum!
Há quem (os cobardes) que o mundo tema!
14 - Fantoches! De quem? Se
quem?
Escrita Impulsiva nº13 - Fantoches! De quem? Se quem?
Ligado à máquina, sonho distante do turbulento sentimento e do outro: O
sono, esse outro.
Tira-me, que fique desligado na máquina. Retira da tomada a corrente que
me alimenta!
E sinto fatiga, sem mais algo querer.
É uma ideia, vou apresentar! - Dizia - Preciso?... - Disse posteriormente,
desligado.
E comoveu todos (o Ditador)!
Falso amor tem o ator para o leal pajem.
O líder dirigiu-lhes a mensagem
para ter muita guita ao seu dispor.
Ou em belo, cheio d'amor (o Ditador!)
é honesto bom: O Pai ao leal soldado,
ao ladrão e ao, no ofício, ocupado.
Bem vários mas, num, é dor se assim for!
Um levado à paixão,
com ou sem razão em mão.
Um levado pela gula
com puro intento dum chula.
Questiono: O que há em comum, Praga?
Ambos, de facto: PRA CARNE SE PAGA!
Mais um caso: O do génio devido,
do pensador, claro ser das mentes,
o pico das gentes. Nem sexo sentes,
lógico, sem tomar ou crer partido.
Diferente? A fonte é a mente,
tanto pra ele como pra gente que mente;
Até para quem o de mais digno tente.
15 - A Preta
Escrita Impulsiva - Final
"Brincamos, às armas,
eu e outro, valentes,
imponentes."
Céus, nem te desarmas!
Haja cuidado, vocês ainda
sarrependem!
O par está surdo
ao som da música
e da piada.
Eu não estava lá,
eu "estive" depois e
digo como testemunha:
Via que, por trás da porta,
cagavam preles.
Armados.
Agora, fechem a porta
que ela matou-lhe
e decidiu-se logo morta.
Imediato, quase instante, dum acidente.
(Foi tudo que ouve e é tudo que tenho para contar)
Calo-me.
Extra: Que nojo
Que nojo tenho de mim, que humilhação é ser irmão de gentes fidalgas
como os do meu país. Olhem pra eles, que nem, imagino, a água dos
confins mais raros do mundo conseguem tomar, pois tão raro é o recurso
como a chance de vida civilizada é nesses sítios. Esses, com as maiores
amarguras e desilusões, liderados por oligarcas corruptos à mercê das
potências de maior magnitude (Neo-colonialismo), efetivamente
"ilegalizando" (embora não seja sempre ilegal) a razão de vida desses (a não
ser pela escravatura agrária que mal é suficiente para uma alimentação
satisfatória)! Nós somos pavões vaidosos, mostrando as nossas penas,
mesquinhices e nojentices com a intenção de apresentação e confiança; nós,
os ridículos com as nossas preferências mesquinhas: Nojo de sujeira, nojo
de comida, nojo de trabalho, nojo de autoridade ou obrigação. Ao viajar,
carregamos tanto, e só por lazer! Ao viajar, outros carregam o que vestem
mas só por procura! Todos nós coloridos feitos de faróis; nem no carnaval
poupa-se de gozo, pois, a sua ideia é baseado em algo ambicioso,
francesinha, bitoque e comida gourmet bem que difere dos pratos em
regiões Africanas, Sul-Americanas, árabe e até para as filipinas, Indochina e
indonésia. Essas tamanhas festanças são desnecessariamente fútil, só para
encher com fartura o nosso coração com açúcar, sal e gordura.
Quando cá vejo imigrantes de etnias que são ou estão relacionados com as
múltiplas, não paralelas, etnias indianas, ou as norte-africanas, ou as do
mundo árabe ou de nacionalidade brasileira: Sempre os vi com maus
olhares (com a exceção de alguns que são poupados quando tratam-se da
vontade de ter uma vida melhor por um caminho justo, os de juízo) e creio
eu, que eles sentem tanto como sinto eu ao ser um turista priviligiado dos
priviligiados. É a atenção que dá-se com o contraste que a mim perturba,
não condeno esses contrastes sociais, a não ser que haja dívida da minha
parte. Porque digo isso? Chego a essa conclusão porque eu próprio não
encontro uma solução a esse nojo em mim, essa humilhação. Devemos
parar de desfrutar do nosso luxo se não há qualquer consideração pelos
pouco afortunados? Ou seja, esse nojo, essa humilhação que sinto em mim
é devido à ansiedade da minha posição social. Mas é justo eu viver numa
boa posição social? Justo é viver, se calhar, já que todos vivem, nascendo,
então esse deve ser um aspeto de igualdade que todos tem, sendo assim algo
que deve acontecer com todos que vivem. Porém seja viver justo, será justo
viver como? Será justo nascer norte-americano (E.U.A.) ou centro e sul-
americano? Será justo como sul-africano ou como "cidadão" da somália?
Se calhar nascer é injusto e, a partir dai, temos que entender que as nossas
limitações não são culpa dos outros e que esses não devem-se comprometer
devido às nossas fronteiras físicas e mentais.
(texto incompleto) texto de 25/06/2024.
"Terminado" às 13/02/2025
Extra: NÃO SERÁ, NÃO
SENTIRÁ E NÃO ESTARÁ.
Minha mente só conhece existência, é por isso que inexistir é um pouco
inacreditável e inimaginável (pessoalmente). Quer-se crer que só perde-se a
consciência, mas este, mesmo que não seja o mesmo, terá o mesmo
impacto; o de não existir, para o resto da eternidade.
Terá algo valor? Eu não me lembro de cada detalhe refinado da minha vida,
só conheço a vaga existência factual dum acontecimento específico ou uma
vaga memória de uma generalização de vários momentos.
Porque tudo que faço e experiencio tem este valor? E porque os outros não
sentem o mesmo? Serei a única consciência existente? Ou o único humano
inconsciente, mesmo que sinta vivo? Todos relembram com tamanha
certeza as suas lembranças, com ou sem arrependimentos. Eu, por contrário,
lembro-me de pouco, então temo que tudo que fiz, faça e farei tenha um
valor nulo, demonstrando que na minha vida procura-se somente o
entretenimento e lazer confortável da mente.
Original de 22/03/2024
Reeditado em 7/05/2024 e corrigido em 2/02/2025
Em homenagem a Filipo de
Siracusa (O Banquete)
Choremos por impopularidade.
Provas são esses amigáveis cônjuges.
Mas nota que em tempo, passada idade,
nem é assim tão mal, embora assim julgues.
Siracusano, é negócio teu,
sim, claro (E, também, meu combustível).
Mas, embora não sejas invencível
podes na mesma ser sem tal pitéu.
Influências
Influências:
Música:
-Klaatu (Especificamente o álbum Hope)
-Nirvana (UK)
-Avenged Sevenfold
-Bach (especificamente Passacaglia em dó menor)
-Mussorgsky
-Mr. Bungle
-Nuclear Rabbit
-Goreshit
-Cynthoni
-Carlos Paredes
Livros:
-Fédon
-A Morte (de Maria Filomena Mónica, Ensaios de Fundação)
-Boiled Angel
Pintura:
-John Martin
-Mike Diana
Comparado com "Discursos pós-Janeiro", tomei maior liberdade.
Mesmo assim, desejo partilhar os artistas que são do meu interesse.