e, a mais, resolveu ligeiramente o défice de organização (um problema em
específico que nunca chegou a ser terminado).
Numa outra certa altura, a demografia, de uma forma geral, consistia de
milhares (senão milhões!) de gente de "eles" vivos. Nesse apogeu utópico
(ou distópia de latas enlatadas, chamem-lhe o que quiserem), desenvolveu-
se por construção milhões (senão bilhões!) de cidades, cabines, casas,
cabanas, caminhos de conscientes e caminhos como compridíssimos
canhões (esses sendo tubos).
E continuava sem fim, não terminava, era só mais, mais, mais, mais, mais e
mais! Museus tinham corredores em expansão, continuamente,
eternamente, sem espera! As exposições, a arte, era tanta, muita, demais!
Os vivos, produzidos em fábricas, eram transportados em tapetes rolantes,
tubos, elevadores e escadas iluminadas por luzes industriais de ciano,
contrastados com paredes "candidamente" brancas, alimentados por sólidos,
líquidos e gases e depois armazenados em armazéns: Cadeias para os presos
num mundo deles, ilusório, de só e constante prazer.
Esses pacientes "voluntários" do sistema deixavam-se levar nesses
caminhos até serem abruptamente incinerados em centros de destituição de
seniores. As restantes matérias desses corpos esturrados eram de seguida
reciclados e processados para servirem como suplementos para os outros
muitos vivos cuja hora ainda estava por chegar.
Tudo desmatava o vivo natural pela máquina do sistema do conveniente
consumo. Uma máquina de complicações: Máquinas ligadas umas às outras
em cabos desorganizados em espaços de árduo acesso, é esse o tipo de
mundo de que estamos a falar.
E os em pé, não ligados à grandíssima máquina do todo barafundado,
serviam como escravos pela manutenção do sistema (já que a máquina fazia
tanto, não era capaz de safar-se sozinha sem a ajuda de alguns). Mas esses
escravos que menciono não eram gentes empregadas à força, com uma
lâmina ao pescoço, com algemas e coleira; não, não. Eram civis educados
para assim serem. Eram educados, também, em terem pena e,
principalmente, culpa.